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Balanço de migrantes mortos ou desaparecidos aproxima-se dos 60 mil

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Balanço de migrantes mortos ou desaparecidos aproxima-se dos 60 mil

Cerca de 4300 anónimos, incluindfdo crianças sepultadas em Gauteng
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Associated Press
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Serão 56.800 os migrantes dados como mortos ou desaparecidos em todo mundo, um número avançado pela agência Associated Press (AP) e que representa praticamente o dobro dos 28.500 estimados a um do outubro pela Organização Internacional de Migrações (IOM)..

O balanço da agência de notícias estará ainda abaixo da realidade porque haverá muitos corpos por descobrir, escondidos pelas areias dos desertos ou no fundo do mar.

A revisão do balanço da IOM resulta da compilação de dados de diversos grupos internacionais, de registos forenses, relatórios de pessoas desaparecidas e de mortos, e da análise de milhares de entrevistas efetuadas como migrantes.

O número final foi incluído pela AP numa reportagem efetuada na África do Sul, onde milhares de cadáveres têm vindo a ser depultados de forma anónima sob suspeita de se tratar de migrantes que viviam de forma ilegal no país, um dos mais procurados pela migração do continente africano.

Ao todo, desde 2014, pelo menos 18.400 migrantes africanos terão morrido enquanto atravessavam África, de acordo com os registos compilados pela AP e pela IOM. Entre estes estarão mais de 4300 cadáveres anónimos entre 2014 e 2017 só numa única província sul-africana, Gauteng, e pelo menos 8700 cujo desaparecimento foi reportado por acompanhantes de viagem.

Muitos dos 4300 cadáveres "sem nome" de Gauteng acabaram no cemitério de Olifantsvle, em Joanesburg, numa secção denominada "pauper", termo que pode ser traduzido para português como "indigente".

"Pela lei, um indigente é um indivíduo que fica 30 dias por identificar. Uma vez catalogados como 'indigentes', os cadáveres são enterrados", explica Trisha Mahon.

A patologista forense conta-nos que a morgue de Joanesburgo recebe "bastantes cadáveres sem identificação".

"Só aqui na morgue de Joanesburgo temos cerca de 10 por cento de anónimos entre a população que passa por aqui. Atualmente, recebemos cerca de três mil cadáveres em Joanesburgo. Cerca de 300 chegam sem qualquer identificação", acrescenta Trisha Mahon.

O diretor forense da Cruz Vermelha em África, Stephen Fonseca, sublinha que, "muitas vezes, os migrantes deixam um certo país para tentar relançar a vida no norte da Europa, no leste do Médio Oriente e até na África do Sul."

"Deixam as famílias sem terem qualquer noção do tempo que vão demorar até ao destino estabelecido nem do que lhes poderá acontecer quando lá chegarem", acrescentou Stephen Fonseca, falando de um fenómeno global que atualmente continua a ceifar vidas anónimas também no Mediterrâneo e na travessia do México para os Estados Unidos.

De acordo com o balanço da AP, só em África terão morrido quase mais 13 mil migrantes do que os 5531 estimados pela IOM, no período entre 2014 e 01 de outubro deste ano.

Na travessia marítima para a Europa, quase mais 5000 e na passagem ilegal do México para os Estados Unidos mais 1500 que os estimados pela IOM.

Tudo somado, são mais 28.300 migrantes mortos ou dados como desaparecidos do que os referidos a um de outubro pela Organizaçao Internacional das Migrações.