Theresa May e Jeremy Corbyn afiam as facas no duelo do "brexit"

Theresa May e Jeremy Corbyn caricaturados como brinquedos caninos
Theresa May e Jeremy Corbyn caricaturados como brinquedos caninos -
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REUTERS/Phil Noble
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O governo conservador do Reino Unido e a oposição liderada pelos Trabalhistas agravaram esta segunda-feira o braço-de-ferro em Westminster após o adiamento para meados de janeiro da votação do "brexit" e do consequente pedido de Jeremy Corbyn para uma moção de censura à primeira-ministra.

A proposta do líder Trabalhista pretendia avaliar a confiança do Parlamento à capacidade de liderança de Theresa May após a chefe de Governo ter retirado aos deputados a hipótese quase certa de reprovarem na semana passada o acordo celebrado com Bruxelas sobre o "brexit" e o enquadramento das futuras relações entre o Reino Unido e a União Europeia.

May viria, aliás, a remarcar a votação para mais de um mês após a data inicial prevista de 11 de dezembro, um adiamento considerado "inaceitável" pelo líder da oposição.

Corbyn apresentou, por isso, o pedido para uma moção de censura à chefe de Governo para que "o Parlamento possa retomar o controlo" e vote o quanto antes o "acordo disparatado" de Theresa May.

O pedido de Corbyn surge cerca uma semana após uma moção de censura interna no Partido Conservador também contra May e que, embora se tenha revelado favorável à primeira-ministra (200 votos a favor contra 117), deixou à vista as divisões no próprio partido do Governo.

A proposta de uma moção de censura parlamentar à líder do Governo foi contudo negada pelo executivo por alegada falta de tempo para ser debatida e também não foi bem aceite por outros grupos da oposição, nomeadamente o Partido nacional Escocês, de Nicola Sturgeon, que defendia antes uma moção de censura mais alargada a todo o executivo e não apenas à primeira-ministra.

O pedido unilateral de uma moção de censura de Corbyn a May surgiu após a primeira-ministra ter anunciado a pretensão de remarcar para a semana que se inicia a 07 de janeiro o debate parlamentar sobre o acordo do "brexit" com Bruxelas, com a votação decisiva a decorrer na semana seguinte.

O líder Trabalhista acusou May de estar a agravar uma crise nacional e por isso revelou ter decidido centrar a moção de censura na primeira-ministra, não para a derrubar, mas para a pressionar a colocar o acordo com Bruxelas a votação ainda este ano.

De notar que a primeira-ministra britânica recuou na intenção de colocar o "brexit" a votação no Parlamento a 11 de dezembro, assumindo sem receio que o fazia perante a quase certa reprovação de um projeto descrito em Bruxelas como "plano único" para o futuro das relações entre o Reino Unido e a União Europeia após o anunciado histórico dia 29 de março.

Para a maioria dos deputados britânicos, o acordo alcançado entre o executivo liderado por Theresa May e os líderes dos restantes 27 Estados-membros da União Europeia não é favorável ao Reino Unido, mantendo o país refém de Bruxelas em diversas matérias, nomeadamente por causa da questão da fronteira física entre a Irlanda do Norte (parte do Reino Unido) e a República da Irlanda (membro da União Europeia).

O acordo de paz estabelecido entre ambas as Irlandas em 1988 implica a ausência de barreiras físicas entre os dois países.

O chamado "backstop" é um plano de recurso que prevê a continuidade, pelo menos temporariamente, do Reino Unido na União Aduaneira até que se chegue a um acordo definitivo que permita implementar uma divisão aduaneira sem as barreiras físicas que anulariam o acordo de paz irlandês.