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O murro dos "coletes amarelos" na economia francesa

Ato IX do protesto antigoverno contra a perda do poder de compra
Ato IX do protesto antigoverno contra a perda do poder de compra -
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REUTERS/Stephane Mahe
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Nove semanas após o início do protesto dos "coletes amarelos", a economia francesa começa a sentir os primeiros impactos negativos.

O Banco de França, por exemplo, reviu pela metade a estimativa 0,4% de crescimento da segunda maior economia da zona euro no quatro trimestre de 2018. Afinal, a economia francesa apenas terá avançado 0,2% entre outubro e dezembro.

Um dos setores mais afetados terá sido o do turismo, com as reservas de dormidas em Paris a caíram três por cento, prevendo-se perdas entre os €50 milhões e os €100 milhões.

A Air France queixa-se dos cancelamentos de última hora, que lhe terão custado €15 milhões, e o grupo FNAC-Darty teve lojas fechadas por causa dos protestos e estima perdas de €45 milhões de euros.

A Sodexo, especializada em serviços de alimentação e qualidade de vida, não revela números, mas o respetivo diretor executivo, Denis Machuel, admite ter sofrido impactos negativos provocados pelos "coletes amarelos" em setores do respetivo negócio expostos ao turismo.

O conglomerado suíço de artigos de luxo Richmond também esconde os números, mas admite quebras de receita no final do ano provocadas pela instabilidade social do final do ano em França, nomeadamente pelo fecho de lojas em Paris aos sábados.

Em meados de dezembro, o Conselho francês de Centros Comerciais estimava um rombo de €2 mil milhões provocado pelos protestos, mas as lojas afetadas esperam agora minimizar as perdas com a atual época de saldos.

O movimento de protesto dos "coletes amarelos" arrancou a 17 de novembro sem qualquer partido na sua génese. Cresceu, tornou-se violento e, esta semana, faz dois meses.

No início de dezembro, o governo ainda tentou agradar aos manifestantes, com cedências por exemplo nos impostos sobre o trabalho extra e eventuais prémios anuais concedidos pelos empregadores, com o Presidente Emmanuel Macron a apelar à concessão destes extras.

Os "coletes amarelos", contudo, não ficaram satisfeitos e os protestos continuaram, tendo chegado neste último sábado ao chamado "ato XIX".

Na última noite, há relatos de um novo ato de protesto assumidamente contra a economia francesa. Alguns manifestantes levantaram barreiras, filtraram a circulação e bloquearam camiões de transporte comercial em autoestradas no sudoeste do país.

A circulação na A62 chegou a ser cortada a norte de Toulouse e só foi reaberta ao meio-dia desta segunda-feira após intervenção da polícia.