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Ex-freira vítima de abusos sexuais elogia postura do Papa Francisco

Ex-freira vítima de abusos sexuais elogia postura do Papa Francisco
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Tão históricas como a visita aos Emirados Árabes Unidos, as declarações do Papa Francisco na viagem de regresso marcam, para muitos, o princípio do fim da "cultura de silêncio e segredo." O alerta do Sumo Pontífice relançou o debate do uso de freiras como escravas sexuais e mostrou que não são só os escândalos de pedofilia que mancham a igreja.

O Sumo Pontífice admitiu que freiras católicas têm sido vítimas de abusos sexuais de padres e bispos. Para o Papa, o fenómeno dos abusos sexuais a religiosas pode ser encontrado em "todos os lugares."

Laurence Poujade, uma antiga freira vítima de abuso sexual manifestou-se em entrevista à Euronews. Hoje lidera a associação "Sentinela" que denuncia um problema que sempre existiu.

"Foi preciso esperar que alguns dos mais fracos, em particular vítimas de padres pedófilos, falassem para o assunto ser discutido. No episcopado, por termos uma grande experiência associativa, já nos diziam na altura que era preciso esperar que os casos de pedofilia fossem divulgados para dar atenção ao nosso caso. Por isso esperámos duas décadas para podermos falar", denuncia Laurence Poujade.

O código de silêncio quebrado pelo Papa representa para muitas freiras uma oportunidade de mudança, com menor receio de represálias em casos de denuncia.

"A falta de castidade é um assunto privado. Podemos ter um comportamento passional, um relacionamento que corre mal mas a questão do abuso sexual é de outra natureza. Não se deve misturar paixão com ofensa à integridade. São dois terrenos diferentes que foram várias vezes confundidos. É muito positivo que o Papa os esteja a separar", sublinha a presidente da associação "Sentinela."

Particularmente expressivo em África, na Ásia ou na América Latina, o problema precisa, nas palavras do Papa, de continuar a ser combatido, mostrando uma igreja que expia os próprios pecados.