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Os Pobres da Venezuela

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Dilia chega a casa depois de um dia de trabalho. Tem 62 anos, trabalha como empregada de limpeza e recebe 3 mil bolívares, menos de um euro por dia. Convidou-nos para entrar em sua casa situada num barro pobre de Caracas. E está triste porque não nos pode servir uma refeição.

“Antigamente havia mais coisas, mas agora não. Porque é tudo muito caro e os nossos salários não chegam”.

A fome atinge quase todos na Venezuela. Dilia, os seus filhos e os seus netos. Mais de metade da população do país confirmou uma perda de peso involuntária, nos últimos anos.

Num passeio rápido pelo bairro conseguimos perceber que alimentar uma família se tornou numa luta diária.

Esta noite, o governo enviou dois camiões com alimentos subsidiados mas muitas pessoas, como Dília, não conseguem chegar perto.

Durante anos, nas áreas mais pobres, ajudas generosas do governo ajudaram a construir e manter um forte apoio a Hugo Chávez e ao seu sucessor Nicolas Maduro.

Mas a combinação de políticas económicas questionáveis com a queda dos preços do petróleo levaram o país ao abismo da hiperinflação.

Agora, o apoio ao governo está a desaparecer mesmo em antigas fortalezas chavistas. As pessoas agarram-se à fé e à esperança.

O Pastor Joe Rivero acredita numa mudança no país.

“Eu amo o nosso líder porque a Bíblia ensina-nos a amar o próximo. Mas não partilho as suas ideias. A sua liderança é um pouco mesquinha, a sua liderança é errada”.

A liderança de Maduro nunca sofreu tanta pressão internacional. O tempo passa e o país tenta perceber quais serão as consequências dessa pressão.

Por enquanto, ainda há pessoas que dão o benefício da dúvida ao presidente. Como Dilia, que acredita que Nicolás Maduro não conhece a gravidade da situação.

“O presidente deve pensar que recebemos a comida de 15 em 15 dias. Talvez pense que está tudo bem. Mas é mentira”.

Uma mentira que Dilia não pode ignorar. Ela sai para o trabalho sem pequeno-almoço. Uma refeição esquecida. Uma razão para lembrar como a vida se tornou tão difícil.

Anelise Borges, Euronews.

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