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União Europeia precisa de recalibrar relação com China

União Europeia precisa de recalibrar relação com China
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Picture taken March 25, 2019. REUTERS/Tyrone Siu
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A Comissão Europeia recomendou, terça-feira, aos 28 países da União que sejam cautelosos e informem sobre eventuais riscos de segurança na escolha do fornecedor de sistemas 5G. Trata-se da quinta geração de redes movéis. Em causa estão receios com a empresa chinesa Huawei.

O governo dos EUA tem acusado a empresa chinesa de querer espiar o Ocidente ou, mesmo, conduzir ataques cibernéticos. Portugal já lançou o concurso para a rede 5G e o operador Altice assinou uma parceria com a Huawei.

A duas semanas da cimeira União Europeia-China (9 de abril), a euronews falou com o analista Glyn Ford, do centro de estudos Polint, em Bruxelas, sobre o futuro da relação europeia com o gigante asiático.

Segundo Ford, a União Europeia pode ficar com um calcanhar de Aquiles em termos da segurança das infra-estruturas e das informações secretas se parte da rede móvel 5G for entregue à Huawei. São precisas precauções, mas o erro principal tem sido a falta de investimento em soluções internas.

"É óbvio que existe uma ameaça. Não confiaria na China nesta matéria, mas também não confiaria nos norte-americanos. Idealmente, deveríamos desenvolver a nossa própria tecnologia, o que não é possível atualmente", disse o analista.

A rota da seda e a OMC

O acordo assinado, na semana passada, entre a China e a Itália sobre a chamada Nova Rota da Seda, pode ser outro calcanhar de Aquiles ao nível das trocas comerciais.A iniciativa chinesa visa criar uma nova rede de portos, estradas e caminhos-de-ferro para ligar os dois continentes.

Países como França e Alemanha defendem a existência de acordos bilaterais que não prejudiquem a competitividade da União, argumento também defendido pelo eurodeputado italiano Salvatore Cicu, do partido Forza Itália (centro-direita, na oposição).

"A França estabeleceu novos acordos comerciais, mas sempre tendo em conta que deve proteger a dimensão europeia e o facto de que a China tem de continuar a ver a Europa como uma potência global", disse, em entrevista à euronews.

A Comissão Europeia considera que a China é um parceiro estratégico, mas também um rival porque continua a levar acabo práticas concorrenciais desleais, tais como as ajudas de Estado a certas indústrias ou o desrespeito pelo direito de propriedade intelectual.

Matérias que poderão ser revistas numa cooperação entre as duas partes para reformar a Organização Mundial do Comércio (OMC).

"Não considero que a China esteja a violar as regras, mas antes que as regras existentes precisam de ser revistas. A China é agora uma potência global, que não existia há 15 anos", acrescentou Glyn Ford.

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