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"Prisão de Assange cria precedente perigoso"

"Prisão de Assange cria precedente perigoso"
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REUTERS/Hannah McKay
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Os advogados de Julian Assange afirmam que a prisão do fundador do WikiLeaks abre um precedente que pode prejudicar a liberdade de imprensa.

Assange foi detido, na quinta-feira, após ter sido retirado pela polícia britânica da embaixada do Equador em Londres, onde esteve exilado por quase sete anos.

Os Estados Unidos da América exigem que seja extraditado, acusando-o de pirataria informática e conspiração. Caso seja condenado, o australiano pode incorrer numa pena de até cinco anos de prisão.

"Isto cria um precedente perigoso para organizações de comunicação social e jornalistas na Europa e no mundo. Este precedente significa que qualquer jornalista pode ser extraditado para ser processado judicialmente nos Estados Unidos por ter publicado informações verdadeiras sobre os Estados Unidos", conclui a advogada Jennifer Robinson.

Os advogados de defesa argumentam que caso seja extraditado para os Estados Unidos, Assange poderá ser torturado e executado.

O Governo britânico, contudo, mostrou-se satisfeito com a detenção do fundador do WikiLeaks, como sublinhou o ministro britânico do Interior, Sajid Javid: "Estou satisfeito pela decisão do presidente Moreno e transmito-lhe os agradecimentos do Reino Unido por ele resolver esta situação. As ações do Equador reconheceram que o sistema de justiça criminal do Reino Unido é aquele em que os direitos são protegidos e contrariamente ao que o senhor Assange e os seus apoiantes podem alegar, ele e os seus interesses legítimos serão protegidos ".

A posição do Equador, em relação a Julian Assange começou a mudar após a eleição do atual presidente, em 2017.

Lenin Moreno acusou-o, várias vezes, de tentar desestabilizar e denegrir o seu Governo apesar da proteção de que usufruía.

"Anuncio que o comportamento descortês e agressivo de Julian Assange, as declarações hostis e ameaçadoras da sua organização contra o Equador e, especialmente, a transgressão de tratados internacionais, levaram a situação a um ponto em que o asilo do sr. Assange é insustentável e inviável", referiu o presidente do Equador.

No Reino Unido, pende sobre Julian Assange a acusação de violação de liberdade condicional e fiança por não se ter apresentado à justiça em 2012, quando procurou asilo na embaixada do Equador.

A dois de maio, o fundador do WikiLeaks volta a ser ouvido por um tribunal que poderá decidir-se pela condenação. Assange poderá incorrer numa pena de até 12 meses de prisão.