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Cartoon Xira comemora 20 anos e homenageia a festa brava

Cartoon Xira comemora 20 anos e homenageia a festa brava
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Em pleno debate sobre a eventual proibição das touradas em Portugal, a Cartoon Xira apresenta uma mostra inédita de desenhos de Marlene Pohle, realizados durante as festas do Colete Encarnado de 2018 - a festa anual vila-franquense, em honra dos campinos, da lezíria e dos touros.

"Entrevistei três toureiros daqui, que me explicaram o ponto de vista deles e, realmente, são histórias fascinantes. Portanto, digamos que... não é que esteja de acordo, mas compreendo um pouco melhor esta filosofia. Foi, realmente, muito interessante", explica-nos a cartunista argentina Marlene Pohle.

A vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira recorda as origens desta festa: "O Colete Encarnado foi instituído, no fundo, para homenagear a grande figura que é o campino. E o campino é o homem que trabalha na lezíria. Obviamente que o trabalho principal dele é conduzir o gado e guardar o gado, guardar os touros. Obviamente que, para os defensores dos animais é uma barbaria mas estamos a falar de uma cultura que está enraizada e que faz parte de um povo. Quando acabar as touradas - e não será por decreto que acabarão, porque por decreto não se consegue acabar com uma tradição -, e eu penso que haverá um dia em que as touradas, as esperas, as largadas eventualmente acabarão, mas a essência de Vila Franca mater-se-á porque Vila Franca é muito mais do que uma tourada, do que uma espera ou do que uma corrida de touros."

"Ao Correr da Pena" são cem cartoons que resultam de duas semanas de imersão na vida e na cultura vila-franquenses, durante as quais a artista argentina, radicada na Alemanha há 30 anos, desenhou touros e campinos, mas também avieiros, varinos e gente anónima.

Homenagem a Augusto Cid

A Cartoon Xira - de regresso ao renovado Celeiro da Patriarcal - homenageia este ano Augusto Cid, grande nome do cartoon em Portugal, falecido no passado mês de março.

"Não posso deixar de evocar, neste momento, a memória de um cartunista recentemente falecido, o Augusto Cid, cujos desenhos marcaram presença em todas as anteriores edições da Cartoon Xira", declarou Alberto Mesquita, o presidente da Câmara Municipal, durante a inauguração da mostra.

Guerra na Síria começa a perder terreno na imprensa

A outra vertente desta mostra é, como habitualmente, uma revista dos melhores cartoons do ano transato publicados em Portugal. Um modelo de exposição que, 20 anos depois, o curador considera equilibrado: "Eu costumo brincar, dizendo que a Cartoon Xira é do século passado, nasceu em 1999, portanto já leva estes anos todos." E António Antunes continua: "A fórmula foi mudando ao longo do tempo, fomos afinando e penso que neste momento a Cartoon Xira tem uma fórmula muito interessante, porque tem uma recolha dos melhores cartoons do ano dos cartunistas portugueses e ao mesmo tempo temos um convidado estrangeiro que mostra o seu trabalho."

Ao longo de uma centena de cartoons, revisitamos, assim, os principais temas que marcaram a atualidade do ano que passou. São obras de Gargalo, Bandeira, Brito, Carrilho, Cristina, Gonçalves, Maia, Rodrigo, Monteiro ou Cristiano, mas também do próprio António.

Para além da política nacional, o Brasil e a eleição de Bolsonaro, o Brexit, o início da crise dos Coletes Amarelos em França ou a pedofilia na Igreja foram dos temas que mais inspiraram os cartunista em 2018.

A exposição está patente, no Celeiro da Patriarcal de Vila Franca de Xira, até 21 de julho e nela se percebe que a guerra na Síria começa a perder espaço na imprensa - apesar dos seus cinco milhões de refugiados e deslocados e dos seus 360 mil mortos.