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Discurso anti-imigração cresce na corrida para as eleições europeias

Discurso anti-imigração cresce na corrida para as eleições europeias
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A vaga súbita de milhares de migrantes desesperados que chegou à Hungria, em 2015, marcou o apogeu da crise migratória na Europa. A maioria entrou no país por uma rota que atravessava a Sérvia até entrar em solo húngaro.

A resposta do governo da Hungria veio sob a forma de arame farpado, vedações e o aumento da presença policial na fronteira.

As críticas de Bruxelas não se fizeram esperar, mas a atitude do primeiro-ministro, Viktor Orbán, foi bem recebida pela maior parte dos húngaros.

A retórica anti-imigração ganhou força por via do partido Fidesz e é agora amplificada por diversos partidos de extrema-direita na corrida para as eleições europeias.

Laszlo Torczkai, presidente de Câmara de Ásotthalom

"Os partidos na Europa estão a separar-se entre aqueles que são pró e anti-imigração. Esta é a principal definição política e a mensagem de campanha mais visível na Europa. Neste espaço existem muitas diferenças, tal como há muitos debates e diferendos entre o partido que lidero e o Fidesz. Mas, neste ponto, estamos de acordo: a imigração deve ser travada", afirma Laszlo Torczkai, presidente da Câmara de Ásotthalom, uma localidade perto das fronteiras com a Sérvia e a Roménia.

O Fidesz, liderado por Viktor Orbán, é o favorito na Hungria para as eleições europeias - que decorrem entre 23 e 26 de maio - e pode conquistar 14 dos 21 assentos para eurodeputados húngaros no Parlamento Europeu.

Mesmo com a suspensão do Fidesz do Partido Popular Europeu (PPE), Orbán vai estendendo a influência conservadora nacionalista no contexto comunitário.

Esteve recentemente com Matteo Salvini, líder dos nacionalistas da Liga e ministro do Interior de Itália, além de alimentar a ideia de criar um novo grupo político europeu anti-imigração.

Para o analista político Gabor Gyori, o primeiro-ministro húngaro vai continuar a ligar impulsos de cariz autoritário a uma política migratória fortemente restritiva.

Gabor Gyori, analista político

"O maior sucesso político de Viktor Orban é vincular as políticas anti-democráticas à questão da migração. Ele sugere sempre que os dois aspetos são inseparáveis. Basicamente, tem de recorrer a meios ilegais e enfraquecer os controlos e equilíbrios externos que limitam o poder do governo, porque senão a migração iria invadir a Hungria. E na realidade não há relação entre os dois aspetos", salienta.

A consequência do discurso e das medidas reflete-se nos números: dos 9000 migrantes por dia em setembro de 2015 a pouco mais de 20 que são detidos por dia atualmente.

Apesar disso, a presença dos migrantes ainda tem eco no debate político do país e além-fronteiras, num momento em que a Europa se prepara para eleger um novo parlamento.