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Migrantes turcos denunciam repatriações ilegais

Migrantes turcos denunciam repatriações ilegais
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Nas últimas semanas, a delegação da euronews na Grécia tem recebido, da parte de vítimas, familiares e advogados, denúncias do bloqueio e reenvio ilegal de cidadãos turcos que procuravam asilo em território grego. De acordo com as mesmas, a maioria dos que procuravam proteção em solo europeu, acabam assim em prisões turcas, sob circunstâncias misteriosas.

Dois migrantes turcos descrevem o encontro que tiveram, em abril, com polícias gregos, depois de atravessarem a fronteira.

Mikail T.: "Havia quatro polícias e, por trás deles, outras quatro pessoas, vestidas com uniformes de tipo militar, que pareciam soldados. Um deles tinha uma máscara e todos empunhavam bastões enormes. O que tinha a máscara era também o que tinha o bastão maior nas mãos. Tinham uma atitude como se fossem para a guerra, como se estivessem preparados para nos atacar. Nós, claro, estávamos a tentar perceber o que estava a acontecer e perguntámos: 'Porque estão a fazer isto', e eles disseram: 'Vamos enviar-vos para trás'."

Gulay G.: "As minhas crianças estavam ao meu lado e perguntaram-me: 'Mãe, vão matar-nos?'. Eu respondi: 'Não, não nos vão matar. Estão simplesmente a tentar enviar-nos para trás'."

Mikail e Gulay acabaram por conseguir ficar na Grécia, mas muitos não têm a mesma sorte. A 4 de maio, Aisse Erdogan e outros dois homens atravessaram o rio Evros, acabando por desaparecer sem deixar rasto. O irmão de Aisse, Ihsan, foi exigir informações à esquadra da localidade grega de Neo Heimonio, por onde diz que ela passou antes de ser reenviada para a Turquia, onde estará detida.

Ishan Erdogan: "Fui lá e disse: 'A minha irmã está aqui, quero vê-la'. Eles responderam que não havia ninguém, que ninguém tinha sido detido. Quando me disseram isso, fiquei chocado e disse: 'Como é possível? Sei que a minha irmã está aí, sei que foi detida e que vocês a receberam'. E eles responderam. 'Não'..."

Michalis Arampatzoglou, euronews: "A euronews pediu às autoridades gregas para comentarem sobre estas denúncias. O Ministério da Proteção Civil afirmou que estes incidentes não foram confirmados. No entanto, as denúncias têm aumentado e os advogados das vítimas dizem que vão exigir justiça, uma investigação independente e um apuramento das responsabilidades."