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As obras de restauro no "postal" do Monte Saint-Michel

As obras de restauro no "postal" do Monte Saint-Michel
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Uma ponte suspensa e uma esplanada com miradouro, que submerge durante a maré cheia, permitiu ao Monte Saint-Michel, no norte de França, recuperar a estética de "ilha efémora" durante a maré alta.

Foi o resultado de duas décadas de estudos e obras em torno de um dos "postais" mais fotografados da Normandia, no norte de França.

Todos os anos, mais de 2,5 milhões de pessoas visitam a abadia construída no topo do icónico monte, eleito há 40 anos Património Mundial pela UNESCO.

A vice-presidente do Conselho Regional da Normandia explicou à Euronews que "os trabalhos tinham dois objetivos."

"Voltar a tornar o monte naquilo que ele foi durante os últimos séculos, isto é, estar rodeado pela água e não totalmente areado; e melhorar a forma como recebemos os turistas", especificou MArie-Agnés Poussier-Winsback.

A ponte suspensa

A primeira grande mudança infraestrutural foi a destruição da antiga estrada maciça de acesso, que impedia a água e a areia de circularem em torno do monte.

Foi substituída por uma ponte suspensa em palafitas, que desemboca numa esplanada, a qual fica submersa durante a maré alta, deixando o monte completamente isolado como uma ilha.

Hugo Poulet atravessa a baía pelo estuário várias vezes por dia com grupos de turista. As mudanças estruturais agora efetuadas afetaram estas travessias guiadas pelas zonas arenosas da baía.

"Desde os trabalhos de restabelecimento do caráter marinho do Monte Saint-Michel, o nível do solo baixou três ou quatro metros. O mar sobe mais rápido e agora temos o rio Cuesnon a passar de ambos os lados do monte. Realizamos trajetos mais curtos. Adaptamo-nos ao mar e tentamos desenrascar-nos", conta-nos Hugo Poulet, guia de travessias na baía de Saint-Michel.

O custo total dos trabalhos efetuados em torno do monte atingiu os 185 milhões de euros. Cerca de 85 milhões foram suportados pelo Estado francês, partilhados pelos orçamentos locais, regional e nacional.

O Fundo de Coesão Europeu financiou 21,5 milhões de euros, em particular para melhorar os diques e as instalações hidráulicas no rio.

A antiga barragem do Cuesnon foi demolida. As oito portas da nova estrutura regulam agora o fluxo entre o rio e o mar, que se misturam na baía com a maré alta.

Romain Desguée é o responsável pela nova estrutura de regulação dos fluxos marinhos no canal fluvial e recorda-nos que "a antiga barragem estava ali para limitar as inundações e a submersão marinha."

"Obviamente, a nova barragem continua a faze-lo, mas sobretudo agora permite regenerar a corrente hidráulica do rio e libertar os sedimentos e a areia que se acumulam na base do Monte Saint-Michel", sublinhou Desguée.

Redução do tráfego

Para completar a recuperação estética do monte, enquanto ilha efémera, o estacionamento para os visitantes foi limitado a enormes parques pagos afastados da baía.

Os visitantes podem, agora, cumprir a travessia em autocarros gratuitos, em carruagens puxadas a cavalo pagas ou a pé pela ponte suspensa, podendo na maré baixa integrar ainda algumas das caminhadas pelos baixios da baía.

Murielle Lethimonnier disse-nos nunca se cansar do Monte Saint-Michel, garante visitar o local "pelo menos uma vez por mês".

Esta ilha de granito na Normandia mantém-se como uma autêntica "jóia" turística de França e um dos mais bonitos postais da Europa, merecendo ser visitado pelo menos uma vez na vida durante a mudança das marés.