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"Tenho 3 menores a bordo. Sinto-me responsável por eles"

Carola Rackete, a capitã do "Sea Watch 3", em declarações aos jornalistas
Carola Rackete, a capitã do "Sea Watch 3", em declarações aos jornalistas
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A Euronews teve acesso ao interior do "Sea Watch 3", a embarcação de bandeira holandesa que há duas semanas resgatou mais de 40 pessoas, que tentavam atravessar o Mediterrâneo, de África para a Europa.

O barco de socorro a náufragos forçou a entrada em águas italianas, mas foi bloqueado perto de Lampedusa pelas autoridades.

A capitã do "Sea Watch 3" assumuiu-se "preocupada" pelos passageiros que transportava no convés.

"Quando somos confrontados com um caso de resgate e recolhemos as pessoas a bordo... Tenho inclusive três menores a bordo. Sinto-me legalmente responsável por eles. O mais novo tem apenas 12 anos. Eles precisam de estar em segurança", sublinhou Carola Rackete.

A capitã pede "uma investigação". "Mas também espero que a justiça italiana perceba a situação e dê valor às vidas humanas e às leis marítimas. Não espero que venha a haver nenhuma condenação. Aliás, espero que nem venha a haver nenhum processo em tribunal", perspetivou a responsável pela embarcação.

Os migrantes foram recolhidos em zona marítima da responsabilidade da Líbia, de onde receberam permissão para desembarcarem em Tripoli. Mas eles não querem voltar, garantiu à Euronews um camaronês, de 29 anos, a bordo do "Sea Watch 3".

"Preciso de chegar à Europa porque no meu país a situação não é a melhor. Há uma crise política nos Camarões e mesmo na Líbia não foi fácil para mim. A Líbia não um local seguro", disse-nos o migrante no identificado.

A jornalista da Euronews que teve acesso ao interior do "Sea Watch 3", conta-nos que "a capitã e a equipa a bordo do 'Sea Watch 3' estão prontos para fazer tudo o que for possível para levar estes migrantes para um local seguro".

"Estas pessoas foram resgatadas a 12 de junho, ao largo da Líbia. As condições em que estão neste barco estão a tornar-se cada vez mais difíceis. A capitã garantiu-nos não ter medo de quaisquer consequências que possam resultar do que acontecer aqui em Itália com as autoridades. E sublinhou uma vez mais: não se pode brincar com as vidas humanas", conclui Giorgia Orlandi, a bordo do "Sea Watch 3", ao largo de Lampedusa, Itália.

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