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Batalha contra o plástico no Mar Mediterrâneo

Batalha contra o plástico no Mar Mediterrâneo
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A Comissão Europeia intensificou este ano a batalha contra a poluição provocada pelo plástico descartável e dá até julho do próximo ano para os Estados-membros implementarem como lei a diretiva "Plásticos de Uso Único", já ativada em Portugal desde fevereiro.

Ao redor do Mar Mediterrâneo, por exemplo, são produzidos anualmente mais de 24 milhões de toneladas de resíduos de plástico e, destas, 570 mil acabam no mar. É o equivalente a despejar no Mediterrâneo 33.800 garrafas de plástico por minuto.

A Euronews deslocou-se a Espanha para conhecer em Barcelona a segunda costa mais poluída do Mediterrâneo. Pior só Cilicia, no sul da Turquia. Telavive, em Israel, fecha o top-3, de acordo com o relatório "Stop the Flood of Plastic" (tr.: "Parem a Inundação de Plástico"), do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), publicado em junho.

As consequências deste tipo de "inundação" são graves, sublinha Miquel Canals, professor de Ciências do Mar na Universidade de Barcelona.

"O plástico está a alterar fortemente o ecossistema. Estamos a ver mortalidade em mamíferos, peixes e aves marinhas pelo impacto direto dos plásticos. Seja por causa dos anzóis, porque os animais ingerem plástico e não são capazes de os excretar ou devido também à chamada 'pesca fantasma', porque uma rede abandonado pode continuar a pescá-los", refere Miquel Canals.

A região do Mediterrâneo é a quarta maior produtora de objetos de plástico e, durante os meses de verão, aumenta um terço devido ao turismo, alerta o WWF, no mesmo relatório, onde se estima um custo médio de €1300 por cada tonelada de lixo.

Combinados os setores do turismo (€268 milhões), da indústria marítima (€235 milhões) e da pesca (€138 milhões), os países do Mediterrâneo terão prejuízos anuais acima dos €640 milhões devido à poluição marinha pelo plástico.Mas os danos não são apenas ambientais ou económicos. Atingem também a cadeia alimentar e a saúde humana, com "o problema da contaminação interna por resíduos plásticos a agravar-se diariamente", avisa Miquel Porta.

O médico e investigador do Hospital del Mar, em Barcelona, explicou-nos que "muitos recipientes plásticos, ao entrarem em contacto com calor, libertam resíduos que depois detetamos na urina". "A principal via e fonte de entrada são os alimentos e os respetivos recipientes", resume.

A jornalista da Euronews Cristina Giner acrescenta que "estes produtos de plástico representam 70 por cento de todo o lixo marinho" e cita os especialistas na matéria no pedido para a implementação de "planos de contingência com o objetivo de acabar com plásticos de uso diário" sob perigo de, em 2050, haver mais toneladas de plástico nos oceanos do que peixes."