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Novo caso de ébola detetado fora da zona controlada

Pessoal médico realiza testes de despistagem de ébola no hospital de Goma
Pessoal médico realiza testes de despistagem de ébola no hospital de Goma Direitos de autor REUTERS/Olivia Acland
Direitos de autor REUTERS/Olivia Acland
De  Francisco Marques com Reuters, AFP
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Um padre foi diagnosticado com a infeção pelo vírus em Goma, uma cidade-eixo de transportes com cerca de um milhão de habitantes

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Novo caso de ébola confirmado fora da zona a que o vírus estaria confinado no leste da República Democrática do Congo está a agravar as preocupações da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Um padre foi diagnosticado em Goma, um importante polo de transportes no país, onde vive mais de um milhão de pessoas.

Goma localiza-se cerca de 180 km a sul da zona limítrofe de Kivu Norte e Ituri, área onde se pensava estar confinado o surto de ébola na República Democrática do Congo, o segundo mais grave da história depois do que matou 11 mil pessoas entre 2013 e 2014 no ocidente africano, afetando sobretudo Libéria, Guiné-Conacri e Serra Leoa.

O homem diagnosticado em Goma viajou 200 quilómetros de autocarro desde Butembo, uma cidade entre Kivu Norte e Ituri, onde terá contactado várias pessoas infetadas com o ébola.

Medidas sanitárias estão a ser implementadas na região e o risco de propagação do vírus mantém-se alto, alerta a OMS.

Apesar dos alertas emitidos pela OMS, o Ministério da Saúde congolês considerou baixo o risco de propagação em Goma.

O diretor-geral da organização afeta às Nações Unidas (ONU) lamentou que "numa altura em que se começava a controlar o vírus numa área, ele aparecesse noutra" e referiu "a violência e a insegurança" como "ameaças" à resposta médica contra o vírus.

"Cada ataque torna mais difícil rastrear os contactos estabelecidos, vacinar a população e realizar funerais seguros. E abre também portas à propagação do ébola", alertou Tedros Adhanom Ghebreyesus, acrescentando também como "grandes obstáculos" na luta contra o ébola "a desconfiança da comunidade, a instabilidade política, a propagação de mitos e a desinformação".

O diretor da OMS considera este novo caso um potencial factor para alterar a estratégia de combate à epidemia.

"Decidi por isso convocar a Comissão de emergência tão breve quanto possível para avaliar a ameaça deste novo desenvolvimento e aconselhar-me devidamente", referiu Tedros Adhanom Ghebreyesus

O responsável da OMS partilhou a mesa com Mark Lowcock, o subsecretário-geral da ONU responsável pelo Gabinete para a Coordenação dos Assuntos Humanitários (UNOCHA, na sigla original). Estiveram presentes ainda outros organismos internacionais ligados à luta contra este segundo surto de ébola em África.

A União Europeia manifestou-se "comprometida no apoio à resposta ao ébola enquanto o surto durar", afirmou Walter Stevens o embaixador da UE na ONU em Genebra.

Desde 2018, a UE disponibilizou quase €18 milhões para ajudar os organismos no terreno no combate ao surto de ébola na RD Congo.

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