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Gentiloni: Mestre dos consensos na economia

Gentiloni: Mestre dos consensos na economia
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O italiano Paolo Gentiloni prometeu esforços orçamentais "adequados" para combater uma desaceleração económica na zona euro que o político de centro-esquerda teme poder vir a prolongar-se mais do que o esperado.

Na audição no Parlamento Europeu, quinta-feira, o indigitado para a pasta da Economia tentou fazer propostas concretas sobre a reforma da zona euro, que equilibrem redução da dívida e crescimento, mas o ex-primeiro-ministro não convenceu alguns eurodeputados mais conservadores.

"Não ouvi nenhuma proposta concreta. Ele descreveu os problemas, mas nós já conchemos muito bem os problemas. Precisamos de um comissário que ofereça soluções e foi isso que me dececionou, porque esperava ouvir dele mais compromissos", disse Marcus Feber, eurodeputado alemão de centro-direita.

Construir ponte entre austeridade e investimento

Gentiloni fará a supervisão do respeito da legislação europeia pelos Estados-membros em matéria de finanças públicas.

Os países do norte defendem regras apertadas e os do sul que querem maior flexibilidade para afrontar a dívida pública, como é o caso do seu país de origem, mas também de Espanha e de Portugal.

"Uma grande parte da audição foi muito vaga, acho que ele foi propositadamente vago. Sabe que precisa de construir consensos e quer evitar antagonizar cada uma dos lados. Mas penso que se saiu bem na defesa desse consenso entre os Estados-membros, porque demonstra o seu compromisso com o projeto europeu", afirmou Luis Garicano, eurodeputado espanhol liberal.

Gentiloni reiterou que vai usar a margem de manobra permitida pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento para permitir que os governos invistam e defendeu um plano de financiamento "ambicioso" para uma espécie de subsídio de desemprego europeu, mas os analistas dizem que não poderá ser muito criativo.

"A Comissão tem um funcionamento institucional com muitos filtros, pelo que a capacidade de Gentiloni para propor alterações vai ser condicionada por um vice-presidente que acredita na austeridade e que vai manter essa sua ideologia política. Vejo potencial para alguma tensão", explicou Alberto Alemanno, professor de Direito Europeu no HEC.

O aristocrata de 65 anos, com o coração à esquerda, tem credenciais a nível de negociação de questões muito difíceis, tal como o acordo com a Líbia para conter o fluxo de migrantes.

Na carta de missão que lhe enviou, a presidente-eleita Ursula Von der Leyen também pediu que contribuísse para elaborar políticas económicas que ajudem a combater as alterações climáticas, uma das grandes prioridades para o mandato até 2024.