Abelhas já têm uma associação europeia para se defenderem

Abelhas já têm uma associação europeia para se defenderem
De  João Paulo GodinhoZoltán Siposhegyi
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Organismo quer travar a importação de mel falso ou de má qualidade na Europa, bem como travar as ameaças químicas e climáticas ao futuro das abelhas.

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A Associação para as Abelhas Europeias, fundada esta quinta-feira, em Budapeste (Hungria), por apicultores de toda a Europa, quer ser o agente de defesa destes insetos no continente, tentando proteger a importância ambiental e económica que têm no futuro do 'Velho Continente'.

Nos últimos anos, a população de abelhas caiu substancialmente e os impactos podem ser enormes. Por isso, o ministro húngaro da Agricultura, István Nagy, quer travar a importação de mel de má qualidade ou falso de territórios fora da União Europeia e sem uma garantia de qualidade 100% europeia, alertando ainda para os riscos dos pesticidas agrícolas.

"Desde 2004 houve 22.000 novos químicos autorizados pela União Europeia e isso é um fardo demasiado pesado para o meio ambiente, sobretudo para os polinizadores selvagens, como os abelhões. E as abelhas de apicultura não vão conseguir substituir todas as espécies", frisou.

Na Hungria, os apicultores já sentem os efeitos desta ameaça. Embora a presença de abelhas possa aumentar as colheitas em um terço, os agricultores não gastam mais em produtos químicos não prejudiciais para os insectos.

István Sárosi tem várias colmeias em Budapeste, mas, na situação atual, a atividade não é rentável e resume-se, praticamente, a um passatempo. "No ano passado uma família de abelhas deu 40 kg de mel e agora apenas rendeu 25, devido ao mau tempo e aos produtos químicos. É uma situação impossível", referiu o apicultor hungaro.

Nos últimos vinte anos, mais de metade da população natural de insectos desapareceu da Europa. Esse declínio tem consequências também nas populações de aves e na própria flora selvagem.

Sem abelhas e apicultores na Europa, os danos ambientais para o continente podem ser terríveis. O drama tem custos económicos também, porque as abelhas são necessárias para 75% da produção alimentar.

Um cenário difícil onde o futuro é ameaçado pelos agroquímicos, mas agora também pelas alterações climáticas. E se não as abelhas não polinizarem, isso pode ter consequências trágicas para toda a indústria agrícola.

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