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Ópera "A cidade morta", entre Hitchcock e Freud

Ópera "A cidade morta", entre Hitchcock e Freud
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A ópera austríaca "A cidade morta" estreada em Munique combina os universos de Hitchcock e de Freud.

A ópera do compositor austríaco Erich Wolfgang Korngold (1897-1957) subiu ao palco recentemente na Ópera Estatal da Baviera, em Munique. O libreto conta a história de um homem que perdeu a mulher e que não consegue recuperar o gosto pela vida. Quando se apaixona por Marietta, que é parecida com a antiga esposa, sente-se dividido entre o desejo de amar e o sentimento de culpa. O espetáculo mistura os universos de Freud e de Hitchcock. "Os quartos que se dividem e se voltam a juntar são um reflexo do conflito interior. O cenógrafo traduziu bem a ideia. Podemos imaginar a cidade como um espaço psicológico, um espaço Sigmund Freud", disse à euronews Nikolaus Bachler, diretor da Ópera Estatal da Baviera.

A cenografia exprime as angústias do protagonista. "A casa de banho aparece de repente no telhado. O Paul está cá em baixo. O que nos dá a sensação de estarmos num sonho e não de conseguir chegar ao objeto apesar de ele parecer estar próximo", explicou o barítono Andrzej Filonchyk.

Uma proeza técnica para o tenor

A obra de Erich Wolfgang Korngold é considerada como um desafio técnico sobretudo para o papel principal. "Tecnicamente, o que o tenor tem de fazer no primeiro ato, é quase impossível", sublinhou Nikolaus Bachler. "Penso que a dificuldade técnica se deve à juventude de Korngold, ele não sabia até onde a voz podia ir. Ele tinha em mente mudanças de harmonia e de ritmo incríveis. É um labirinto louco que mistura vários estilos", sublinhou o tenor Jonas Kaufmann. O compositor austríaco tinha 23 anos quando escreveu a partitura da obra.

Os desafios do maestro Kirill Petrenko

A obra é dirigida pelo maestro Kirill Petrenko. "O som da orquestra, no fosso, é algo muito difícil de ouvir noutros lados, especialmente, quando se trata de uma obra tão difícil. Kirill Petrenko consegue dissecá-la em parte, sem perder a poesia. Ao mesmo tempo, há contradições, pausas e flashes surpreendentes que nos fazem pensar em Hitchcock", resumiu o diretor da Ópera Estatal da Baviera.

Depois de uma viagem pelas profundezas da mente, o protagonista mata a segunda mulher, mas só em sonhos. Será que vai voltar a ser feliz? "Penso que é uma bela ideia terminar o espetáculo sem que saibamos claramente o que vai acontecer. O próprio Korngold escreveu-o na partitura, o palco deve permanecer vísivel até à última nota. A cortina sobe e mostra o vazio do palco", concluiu o barítono Andrzej Filonczyk.

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