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Fase pós-Brexit poderá ser tão ou mais tumultuosa, diz Silva Pereira

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Fase pós-Brexit poderá ser tão ou mais tumultuosa, diz Silva Pereira
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The Bridge é o novo espaço da euronews no Parlamento Europeu para fazer uma ponte com a audiência sobre os temas em debate na agenda da União Europeia. Um desses temas muito importante é o Brexit, que deverá efetivar-se a 31 de janeiro.

O processo de ratificação implica que os eurodeputados votem em plenário, quarta-feira, o acordo de saída. Para falar do que se passará a partir de 1 de fevereiro, a correspondente em Bruxelas, Isabel Marques da Silva, entrevistou o eurodeputado português Pedro Silva Pereira.

Além de ser um dos vice-presidentes do Parlamento Europeu, Pedro Silva Pereira é o respresentante do grupo Socialistas e Democratas no Grupo de Trabalho sobre o Brexit. O eurodeputado considera que a próxima fase não vai ser mais fácil e já há sinais desencorajadores.

"Nós sentimos que existe, ainda, muita insegurança da parte dos cidadãos, em particular dos portugueses que vivem no Reino Unido. O acordo estabelece um período de transição em que tudo se mantém até ao final deste ano, o que já é alguma coisa. Dá, também, garantias em termos de serem preservados os direitos que foram adquiridos durante a permanência na União Europeia, mas quando se olha para a frente, para o futuro, há muitas incertezas no ar. As regras sobre reagrupamento familiar, por exemplo, são muito mais precárias do lado do Reino Unido do que do lado europeu e, portanto, as pessoas estão preocupadas", explicou.

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Pedro Silva Pereira, um dos vice-presidentes do Parlamento Europeueuronews

O dilema da fronteira na ilha da Irlanda

Outro aspeto importante é a não criação de uma fronteira física na ilha da Irlanda, já que a Irlanda do Norte é território britânico e tal poderia colocar em risco o processo de paz, mas há sinais preocupantes.

"O Reino Unido declara que não pretende implementar os controlos fronteiriços entre a Irlanda do Norte e o Reino Unido. Ora isso é essencial e está previsto no acordo de saída porque é uma condição para que não exista fronteira entre as duas partes da ilha da Irlanda e se preserve a integridade do mercado único. Se não houver controlo entre as duas partes da Irlanda, tem de existir entre a Irlanda do Norte e o Reino Unido. Estamos muito preocupados com este mau começo da negociação e esperamos que um ambiente mais positivo se possa afirmar", explicou Silva Pereira.

João Vale de Almeida representará a UE em Londres

O francês Michel Barnier vai manter-se como negociador da futura relação política e comercial, mas a partir de 1 de fevereiro o diplomata português João Vale de Almeida será o representante da União Europeia no Reino Unido.

"Eu penso que é muito importante para a União Europeia e para Portugal que tenha sido um português a ser nomeado como embaixador da União Europeia junto do Reino Unido numa fase crítica como esta. As negociações serão chefiadas por Michel Barnier, representando os governos europeus e de acordo com o mandato que recebe do Conselho Europeu e as orientações do Parlamento Europeu, mas o embaixador também terá um papel no que diz respeito a garantir que os interesses dos cidadãos e das empresas europeias no Reino Unido são plenamente assegurados, até em termos muito práticos. Eu creio que ele terá um papel de facilitador enquanto embaixador", afirmou.

Novo prolonagmento negocial ou Brexit desordenado?

Quase impossível será completar a negociação em 11 meses, mas por agora o lado britânico não quer nem ouvir falar em pedir novo prolongamento.

"Se a União Europeia e o Reino Unido não chegarem a acordo até 31 de dezembro - e o Reino Unido não quiser prolongar o período de negociação - pode concretizar-se o tão famoso Brexit desordenado. Isso significará uma relação muito distante entre as duas partes porque a União Europeia já tem acordos comerciais com o Canadá, com o Japão e está a negociar com os EUA e os países do Mercosul. Um político disse que o Reino Unido "não é um barco que vai partir para alto-mar, é uma ilha". Mas se houver um Brexit desordenado, a relação com o continente europeu será muito mais distante", realça a correspondente Isabel Marques da Silva.