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Parmitano: "Estamos no bom caminho para voltar à lua nesta década"

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Parmitano: "Estamos no bom caminho para voltar à lua nesta década"
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A euronews entrevistou Luca Parmitano, o astronauta da Agência Espacial Europeia que acaba de passar seis meses em órbita, na Estação Espacial Internacional (EEI).

euronews: "Vamos falar do seu regresso à terra após a missão na EEI . Como se sentiu fisica e mentalmente?"

Luca Parmitano, astronauta europeu: "Antes de mais senti-me aliviado porque correu tudo bem. Depois, senti-me feliz por estar na terra e sentir o sol no rosto, a brisa, o cheiro da terra húmida, a neve. Estive longe de todos esses cheiros durante duzentos dias. Foi uma grande alegria, misturada com um grande cansaço devido ao efeito gravitacional, que, nos primeiros dias, é muito forte.

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O regresso de Luca Parmitano à Terra. a 6 de fevereiro de.2020Euronews

euronews: "Em que consiste o programa de recuperação de um astronauta quando regressa após uma missão?"

Luca Parmitano, astronauta europeu: "Por um lado, é a continuação das experiências fisiológicas conduzidas em órbita. Depois é que vem a verdadeira reabilitação. Há uma parte de fisioterapia para relembrar o uso de músculos que são difíceis de ativar em condições de microgravidade. Há uma parte de atividade física, como levantar pesos, correr, nadar e bicicleta".

euronews: Que visão desenvolveu no espaço sobre o estado de saúde do nosso planeta?

Luca Parmitano, astronauta europeu: "Este ano, vimos uma devastação sem precedentes na zona das Caraíbas, nas Bahamas e em Porto Rico. Documentámos ao longo de meses os incêndios florestais na Amazónia e em África. Depois comecei a fotografar os fogos na Austrália em setembro e continuei a fazê-lo até janeiro e fevereiro".

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O treino de reabilitação física de Luca Parmitano após uma missão no espaçoEuronews

euronews: "Convido-o a passar para o módulo Columbus, o laboratório europeu, para falar mais em detalhe sobre a sua missão científica. Para si é um pouco como estar em casa".

Luca Parmitano, astronauta europeu: "Sim, apesar de este módulo ser mais recente e estar mais organizado do que o verdadeiro".

euronews: "Participou em cerca de cinquenta experiências europeias e duzentas internacionais. Que testes são feitos no espaço e que consequências podem ter para a nossa vida terrestre?"

Luca Parmitano, astronauta europeu: "Os estudos científicos que efetuámos permitem-nos ver como é que os fenómenos que damos por adquiridos na terra, num ambiente gravitacional, são diferentes quando estamos em órbita. É um ambiente extremamente controlado. Somos capazes de controlar todos os elementos desse ambiente, da composição da atmosfera, à temperatura e aos efeitos gravitacionais. E, se quisermos, com uma máquina centrifugadora, podemos gerar acelerações similares às da terra, da lua ou de Marte".

euronews: "É o primeiro italiano e o terceiro comandante europeu da Estação Espacial Internacional. Quais foram os momentos mais significativos dessa experiência?"

Luca Parmitano, astronauta europeu: "Quando somos comandantes da Estação Espacial Internacional, lideramos uma pequena comunidade de pessoas altamente treinadas e competentes. Não tratamos as pessoas como crianças, nem damos ordens. Tentamos observar o que se passa para ver qual é o melhor ambiente para que todos possam trabalhar, comunicar e funcionar da melhor maneira possível".

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Momentos da vida na Estação Espacial InternacionalEuronews

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euronews: "Como vê o futuro da presença humana no espaço? Quais são as próximas fases da exploração espacial?"

Luca Parmitano, astronauta europeu: "Estamos no bom caminho para regressar à lua, o que vai acontecer ainda nesta década. Depois, devemos usar o conhecimento sobre a estadia humana no espaço obtido na Estação Espacial Internacional e os conhecimentos que vamos obter com a viagem de ida e regresso à lua para ir ainda mais longe. Acredito que Marte continua a ser um objetivo atrativo, porque é o planeta mais parecido e mais próximo do nosso. Se quisermos ser uma espécie interplanetária, esse deve ser um dos nossos objetivos".

euronews: "Como será o futuro de Luca Parmitano? Pensa numa missão lunar?"

Luca Parmitano, astronauta europeu: "É mais do que um pensamento. Estou a meio da minha vida operacional e adquiri uma grande experiência na Estação Espacial Internacional. Se o nosso futuro, enquanto comunidade internacional e enquanto Agência Espacial Europeia, passar por ir à lua, espero ser um bom candidato para uma das missões futuras".

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Uma missão no exterior da Estação Espacial InternacionalEuronews

euronews: "O que mais lhe fez falta no espaço?"

Luca Parmitano, astronauta europeu: "O tempo passado com as minhas filhas, com as pessoas que amo, os meus amigos e a família, mas em particular com as minhas filhas. É esse contacto humano que faz de nós seres humanos. O homem é um ser social".

euronews: "As crónicas espaciais que nos enviou da EEI são muito populares. Pedimos aos nossos espetadores para nos enviarem perguntas. Selecionámos algumas. A Mira quer saber como é a sensação de olhar para a terra, de um lado, e olhar para a profundeza do espaço, do outro?"

A beleza da terra é indescritível, infelizmente, ou, talvez, felizmente.
Luca Parmitano
astronauta europeu

Luca Parmitano, astronauta europeu: "É uma mistura de emoções. O espaço profundo é algo que me atrai bastante. É o último dos grandes mistérios. É o último horizonte a ultrapassar. Temos esse sentimento sobretudo durante as atividades fora do veículo, quando estamos imersos na escuridão. Por outro lado, temos o nosso planeta, a nossa casa, o único planeta que conhecemos que alberga vida. A beleza da terra é indescritível, infelizmente, ou, talvez, felizmente."

euronews: "A Corina pergunta: como vê a vida quotidiana na terra depois de ter vivido seis meses no espaço?"

Luca Parmitano, astronauta europeu: "A vida na terra é extremamente preciosa e frágil, é algo que deve ser preservado em todas as suas formas".

euronews: "Como foi a experiência de apresentar as crónicas espaciais na euronews?

Luca Parmitano, astronauta europeu: "Foi uma bela experiência de partilha. Tive a oportunidade de falar a um público europeu em várias línguas. Era uma oportunidade a não perder. Gostei muito da troca de ideias com o público europeu".