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"Maternal" ganha Grande Prémio de Ficção e Direitos Humanos em Genebra

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"Maternal" ganha Grande Prémio de Ficção e Direitos Humanos em Genebra
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Em condições excecionais e sem público, o Festival Internacional de Cinema de Direitos Humanos (FIFDH) de Genebra deu a conhecer os vencedores da última edição.

A continuidade do evento foi garantida através da internet e, à distância de um écrã, o público pôde seguir todos os debates, os jurados assistiram aos filmes e a presidente do júri, Pamela Yates, revelou os premiados.

"Colectif" recebeu o "Prémio Grande Genebra". O filme de de Alexander Nanau é um thriller político sobre uma equipa de jornalistas de desporto que investiga o incêndio na discoteca Colectiv, na Roménia e, ao fazê-lo, descobre um caso de corrupção no governo, ao mais alto nível, dentro do Ministério da Saúde.

A 30 de outubro de 2015, 27 pessoas perderam a vida num incêndio numa discoteca na Roménia. Outras 37, feridas, acabaram também por morrer após contrair infecções em hospitais romenos. A tragédia gerou a indignação nacional contra a corrupção do Estado e do governo.

O Prémio Gilda Vieira de Mello - em homenagem ao filho Vieiro de Mello e oferecido pela Fundação Barbara Hendricks para Paz e Reconciliação - foi para o filme "Radio Silence", de Juliana Fanjul.

O documentário aborda o percurso da apresentadora de rádio e jornalista mexicana Carmen Aristegui, conhecida pela luta contra notícias falsas, corrupção do governo e as relações dos políticos com os cartéis de droga. Quando, em 2015, foi despedida pela estação de rádio onde trabalhava, começou o seu próprio canal e continuou a transmitir online, onde agora tem cerca de 18 milhões de ouvintes.

Em entrevista, Juliana Fanjul revela que "no centro deste documentário está a figura de Carmen Aristegui", uma jornalista mexicana e figura inspiradora pela coragem que tem demonstrado. Uma coragem que, nas palavras da realizadora, "ressoa fortemente em toda a equipa do Festival, que decidiu, apesar da situação complicada do coronavírus, não desistir, e fazer uma programação 2.0 para tentar continuar a comunicar as mensagens de luta e defesa que osnossos filmes carregam ".

O Grande Prémio de Ficção e Direitos Humanos foi para o filme "Maternal", de Maura Delpero.

Num país onde o aborto ainda não é legal, o primeiro filme de ficção de Delpero lida com uma importante questão social, partindo de um cenário emblemático em que jovens grávidas, geralmente menores de idade, convivem com mulheres que nunca serão mães.

Todos os debates, palestras e lista de premiados estão disponíveis no site do festival.