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Cuidados intensivos dos hospitais brasileiros em risco de sobrecarga

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De  Euronews com LUSA
Doente com covid-19 internado em hospital brasileiro
Doente com covid-19 internado em hospital brasileiro   -   Direitos de autor  SILVIO AVILA/AFP or licensors
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As unidades de cuidados intensivos (UCI) dos hospitais brasileiros estão a aproximar-se da sua capacidade máxima e poderão ficar lotadas antes do previsível pico da pandemia de covid-19 no país, previsto pelo Ministério da Saúde para algures entre maio e junho.

Segundo informações divulgadas hoje pelo governo regional de São Paulo, a média de ocupação das camas de UCI está próxima dos 80%. A zona leste da cidade de São Paulo é a mais pressionada pelo aumento dos casos da doença e três hospitais públicos desta região estão com todas as vagas de UCI ocupadas. Em todo o estado de São Paulo, a média da ocupação das UCI é de 65%.

Na cidade do Rio de Janeiro, o hospital de referência no tratamento da covid-19, Ronaldo Gazolla, tem mais de 90% das camas de UCI ocupadas e o governo do estado do Rio de Janeiro também começou a alertar para o possível colapso no sistema de saúde.

Já o Ceará, estado na região nordeste do Brasil, atingiu hoje a lotação máxima das camas de cuidados intensivos específicas para tratamento da covid-19 na rede pública. O Ceará é o terceiro estado brasileiro com mais casos da doença, com 2.157 infetados e 116 mortos.

A lotação das camas de cuidados intensivas distribuídas pelo Brasil ocorre antes do pico estimado pelo Governo central para a propagação da doença, que deverá ocorrer entre maio e junho, e também surge num momento em que há muita incerteza quanto à política adotada para controlar a propagação do vírus no país.

O atual ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que se opôs à política defendida pelo Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, de flexibilizar o isolamento social, poderá deixar o cargo.

Numa conferência de imprensa em Brasília, na quarta-feira, Mandetta falou num tom de despedida e indicou que há transição em curso no Ministério da Saúde.

O ministro admitiu hoje de manhã que deverá sair do comando da pasta: “Hoje, mais tardar amanhã, mas, enfim, isso deve se concretizar", referiu numa conferência do Fórum Inovação Saúde transmitida pela Internet.

O Brasil ultrapassou a barreira dos três mil novos casos diários do novo coronavírus, registando o número recorde de 3.058 infetados e 204 mortos na quarta-feira.