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Covid-19: Hotéis e restaurantes angolanos querem que governo ajude a pagar salários

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O presidente da Associação de Hotéis, Restaurantes, Similares e Catering de Angola (Ahoresia), que classificou hoje como “degradante” a situação no setor, vai propor ao Governo um apoio de cerca de dois terços dos salários dos trabalhadores.

João Gonçalves, em declarações à agência Lusa, disse que não há movimentação de pessoas, devido ao estado de emergência que o país vive, decretado no âmbito da prevenção do novo coronavírus, o que tem incidido na procura dos clientes.

O responsável frisou que chegou à associação um documento do Governo que dava conta da necessidade de se paralisar as ações, com exceção dos serviços de ‘take away’ e entregas ao domicílio.

“Agora o que nós verificamos é que há muitas perdas, há salários a serem pagos, acredito que neste momento o executivo já deve estar a se debruçar sobre isso. Se não vende, não tem faturação alguma, e isso tem incidência, não só nos trabalhadores, mas também em relação às empresas que fornecem uma série de produtos”, referiu.

O líder associativo espera que esta situação seja ultrapassada o mais depressa possível, no sentido de haver um aumento na procura das unidades hoteleiras.

Questionado se tem havido despedimentos, João Gonçalves considerou uma atitude “imprudente” nesta altura, salientando que o que se verifica é que há um decréscimo “o que é prejudicial”.

“Mas por uma questão moral, eu não acredito que algum proprietário mande os trabalhadores embora. Estão à espera de uma oportunidade melhor, mas estão numa situação extremamente difícil”, frisou.

João Gonçalves referiu que não há ainda uma estimativa das perdas, mas basta depreender a partir da faturação diária de uma unidade hoteleira ou restaurantes.

O presidente da Ahoresia realçou que algumas unidades hoteleiras têm estado a apoiar os esforços do Governo, no combate à pandemia da covid-19, disponibilizando os espaços para as quarentenas institucionais.

“É um escape também para os hotéis, que já antes da covid-19 registavam um decréscimo na procura”, indicou o responsável, manifestando esperança que até abril de 2021 a situação normalize.

Segundo João Gonçalves, ainda não foi apresentada a proposta ao executivo angolano, mas brevemente a associação deverá sugerir, de acordo com outras realidades, um apoio de cerca de dois terços dos salários das pessoas.

“É necessário que haja um consenso de ideias para poder levar e dar a conhecer ao nosso Governo para que efetivamente faça algo nesse sentido, porque senão vai ser uma lástima, são milhares de unidades hoteleiras, não só aquelas urbanas, temos também hotelaria das micro e pequenas empresas hoteleiras ao nível do país e é preciso salvaguardá-las também”, sublinhou.

Angola regista já 24 casos positivos do novo coronavírus, nomeadamente 16 casos ativos, seis recuperados e dois óbitos.

A nível global, segundo um balanço da AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 172.500 mortos e infetou mais de 2,5 milhões de pessoas em 193 países e territórios.

Mais de 558 mil doentes foram considerados curados.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.