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Desemprego dos jovens deve disparar com a pandemia

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Desemprego dos jovens deve disparar com a pandemia
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Os jovens que desejam ingressar no mercado de trabalho serão um dos segmentos da população mais afetados pelos efeitos económicos da pandemia, alertou a Organização Internacional do Trabalho.

Uma jovem de 22 anos que concluiu um mestrado em Direitos Humanos enviou 50 candidaturas de emprego, mas a incerteza é a única resposta que recebe.

"Neste momento em particular, recebo respostas negativas, mas sobretudo a resposta de que não há novas vagas de emprego. Portanto, não há nada ao qual nos possamos candidatar. Muitas vezes dizem-me "obrigado por se candidiatar mas, devido ao novo coronavírus, suspendemos a oferta de emprego e avisaremos quando as coisas melhorarem", mas ninguém sabe quando é que isso será", explicou Elise Lauriot-Prévost, em entrevista à euronews.

As perspetivas não são animadoras nem sequer para conseguir um estágio remunerado ou um contrato de curta duração.

"Neste momento, pergunto-me em que área posso trabalhar. Não tenho nada para ir pagando as contas até que os postos de trabalho na minha área, que é muito competitiva, voltem a estar disponíveis. Não posso ser ama de crianças ou fazer outros trabalhos que fazia quando estudava para poder ganhar algum dinheiro", acrescentou Elise Lauriot-Prévost.

Desemprego jovem chega aos 30 por cento nos países do sul europeu

Antes da pandemia, a taxa média de desemprego jovem na União Europeia já era alta, na ordem dos 15 por cento, rondando os 30 por cento nalguns países do sul, tais como a Grécia (36 por cento), a Espanha (33 por cento) e Itália (29 por cento).

As feiras de emprego e as grandes iniciativas de recrutamento não devem aparecer tão cedo, pelo que os especialistas dizem que é melhor usar o tempo para aprender novas competências, como as línguas, por exemplo.

"Não cometam o erro de fazer mais um ano escolar como se estivessem de férias. Devem investir de facto em obter competências úteis para que, ao fim de algum tempo, tenham uma posição mais forte no mercado de emprego. Talvez, dentro de um ano, a situação no mercado seja muito melhor do que é agora", afirmou Jan Denys, diretor de comunicações da Randstad, empresa de recrutamento de profissionais.

Fundos europeus devem ir para trabalho "com direitos"

Nos últimos sete anos, a União Europeia investiu nove mil milhões de euros numa "Iniciativa para o Emprego dos Jovens", que ajudou 2,4 milhões de beneficiários a conseguirem uma oportunidade de trabalho.

Colocar mais dinheiro neste programa financiado pelo orçamento da União Europeia para 2021-2027 pode fazer a diferença se os fundos forem desembolsados ​para os jovens menos qualificados e para empresas que respeitem os direitos laborais, disse Sandra Pereira, vice-presidente da comissão de Emprego do Parlamento Europeu.

"Os fundos não devem ser usados apenas para empregos temporários ou estágios, com muita flexibilidade que cria precariedade e leva as pessoas a adiar outros planos para suas vidas. Esse orçamento deve ser reforçado para trabalho com direitos. Além disso, já defendemos muitas vezes que as empresas que exploram trabalhadores e que não respeitam os seus direitos não devem ter acesso aos fundos europeus", explicou Sandra Pereira, que é eurodeputada portuguesa eleita pelo PCP.

O Erasmus Mais, especialmente para investigadores, e o Corpo de Solidariedade, para serviço social, são programas da União Europeia para promover o primeiro emprego que poderão ser muito afetados pela proibição de viajar e pelas regras de distanciamento social.