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Ambientalistas contra uso de fundos europeus para apoiar gás natural

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Ambientalistas contra uso de fundos europeus para apoiar gás natural
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Os ambientalistas temem que o Pacto Ecológico Europeu proposto pela Comissão Europeia, há seis meses, esteja a ficar comprometido.

O executivo comunitário defendia, então, o gradual corte dos subsídios a empresas que usem combustíveis fósseis, altamente poluentes.

Contudo, atualmente, a Comissão considera que o gás natural poderá ser usado na substituição do carvão e os ambientalistas estão preocupados com o uso dos fundos europeus.

"Vemos o lóbi da indústria de combustíveis fósseis a atuar ao mais alto nível da Comissão Europeia, que até hoje não disse, claramente, que não vai dar mais subsídios europeus a entidades que usem combustíveis fósseis", disse Marcus Trilling, ambientalista da Rede de Ação Climática, em entrevista à euronews.

"Estamos a falar de decisões de investimento que vão definir que tipo de infraestruturas, que tipo de economia teremos nas próximas décadas. Se agora se investir num gás fóssil, então vai continuar a haver muitas emissõespoluentes nas próximas décadas", acrescentou.

Pressão vinda do leste

Um grupo de oito Estados-membros do leste também pressiona a Comissão Europeia para que mantenha subsídios a projetos de gás natural. O argumento é que precisam dessa transição para eliminar o uso do carvão a tempo e de cumprirem as metas de progressiva neutralidade em emissões de dióxido de carbono.

Esses governos acrescentam que não será um desperdício de dinheiro, uma vez que as instalações de produção de energia que usam o gás natural poderão, mais tarde, serem transformadas para usar fontes não poluentes, tais com o hidrogénio.

"Passar diretamente do carvão para um combustível não poluente é impossível, é preciso ter algo para fazer a transição. A menos que outra tecnologia venha a ficar disponível, essa transição tem de ser feita com o gás natural", defende Dragoș Tudorache, eurodeputado liberal romeno, em entrevista à euronews.

"Tudo deve ser feito a tempo de cumprir de forma sustentável as nossas metas a nível climático. Atualmente, existem tecnologias que já vão permitir usar o hidrogénio e aí terá de se substituir, gradualmente, o gás natural. Tudo isto faz parte dos projetos que estamos a desenvolver ", explicou o eurodeputado.

Mudar modelo de negócio para receber ajuda

Já a bancada ecologista no Parlamento Europeu considera que os fundos europeus de 2021 a 2027 devem ser usados, exclusivamente, para projetos não poluentes.

Se alguns Estados-membros quiserem apoiar indústrias poluidoras devem usar os orçamentos nacionais, mas o ideal seria que a indústria mudasse de atitude, defendem.

"Não estou a dizer que devemos matar o setor de aviação ou do automóvel , nada disso. Mas temos que forçar essa parte da indústria a transformar-se", afirmou Philippe Lamberts, eurodeputado ecologista belga, em entrevista à euronews.

"Não queremos que essas empresas entrem em falência, mas se precisam de ajuda pública devem apresentar projetos de profunda transformação de seu modelo de negócio. No caso da aviação, deve reduzir mesmo a atividade", concluiu Lamberts.

Os Estados-membros devem apresentar os planos nacionais de reestruturação até outubro.