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Máfia calabresa Ndrangheta nos mercados financeiros globais

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Máfia calabresa Ndrangheta nos mercados financeiros globais
Direitos de autor  ADRIANA SAPONE/AP2005
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O dinheiro sujo da máfia italiana da Calábria, Ndrangheta, nos circuitos financeiros globais.

O jornal britânico Financial Times revela que vários grandes investidores internacionais apostaram em títulos ligados a empresas com vínculos à rede mafiosa do sul de Itália.

De acordo com os documentos a que o jornal teve acesso, um investidor foi uma das principais instituições de crédito europeias, a Banca Generali, com o apoio da agência de consultoria Ernst & Young.

Entre 2015 e 2019 o volume de operações ascendeu a mil milhões de euros. Mas será uma apenas pequena parte, como nos contou Ernesto Savona, diretor do centro de pesquisa Transcrime, da Universidade Católica de Milão. "Será a ponta do iceberg de algo que já acontece há algum tempo: o financiamento das atividades criminosas e as suas operações nos mercados internacionais. Mas é óbvio que isto demonstra uma passagem que não é recente entre "traders" e advogados que conhecem e atuam nos mercados internacionais.

Euronews: Esta história demonstra que a osmose é possível entre os circuitos legais e ilegais. Este universo da finança mundial é assim tão permeável?

Ernesto Savona, Transcrime: "O dinheiro não cheira mal e cheira ainda menos mal quanto maior for a frequência das transações dos fundos. Surge em forma de créditos nas administrações públicas através de empresas empestadas pela Ndrangheta e "traders" de seguradoras e outras companhias. As passagens do dinheiro retiram sujidade, ou seja, gradualmente desaparece.

Euronews: Atualmente, estão em vigor regras europeias de combate ao branqueamento de capitais mas mesmo assim ainda há esquemas desta evergadura... como é possíve isso acontecer?

Ernesto Savona, Transcrime: "Há uma diretiva contra o branqueamento de capitais que abrange todos os países da União Europeia mas depois há aqueles que a aplicam de uma forma e outros de outra. Devo dizer que, neste caso, é precisamente a opacidade dos veículos financeiros que, de fato, não corresponde às exigências das diretivas contra a lavagem de dinheiro, quem em vez de permitirem a emergência desses veículos deviam dar a capacidade qualquer pessoa no mundo financeiro de torná-los transparentes. A transparência é um ativo adquirido nominalmente na União Europeia mas depois é também uma coisa relativamente pouco praticada".