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Governo admite abuso de força por alguns polícias e pede contenção

Agente da polícia angolana observa protesto em Hoji-Ya-Henda, Luanda
Agente da polícia angolana observa protesto em Hoji-Ya-Henda, Luanda   -   Direitos de autor  OSVALDO SILVA / AFP
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O ministro do Interior de Angola admitiu esta sexta-feira a existência de algum abuso de zelo das forças de segurança angolanas dias depois de um homem, de 23 anos, ter morrido, vítima do disparo de um agente da polícia.

A agência France Press, citando dados da polícia angolana, refere ter sido a oitava vítima mortal das forças de segurança angolanas desde a implementação em Angola do confinamento em março.

Durante a cerimónia desta sexta-feira de tomada de posse de novos responsáveis no Ministério do Interior e do Serviço de Investigação Criminal, Eugénio Laborinho falou das últimas mortes registadas em Luanda e Binguela.

Citado pela agência Lusa, o ministro apelou aos efetivos das forças de segurança para não usarem as armas de fogo contra cidadãos indefesos e que "não ofereçam qualquer perigo contra as forças de defesa e segurança".

Eugénio Laborinho endereçou condolências às famílias enlutadas e garantiu que "os autores de tais práticas estão a ser responsabilizados, disciplinar e criminalmente", porque nunca forma orientados para agir de forma "que convergisse para matar ou violentar fisicamente qualquer cidadão".

"O povo nunca foi nem será inimigo nem adversário das forças de defesa e segurança. Pelo contrário, existimos para servir a sociedade", sublinhou o ministro do Interior de angola.

A morte mais recente, a de domingo à noite, ocorreu na zona do Prensa, na sequência de uma operação de patrulhamento do cumprimento das medidas de prevenção contra a Covid-19. No mesmo episódio, ficou ainda ferido a tiro um adolescente de 16 anos.

Na segunda-feira, residentes da zona onde ocorreu a morte protestaram contra o abuso de força pela polícia, montando barricadas com pneus em chamas colocados nas estradas e obrigando a polícia a reforçar a presença na zona para reprimir o eventual escalar da violência.

Este foi mais um "acto macabro e desumano", reagiu na terça-feira Salvador Freire, presidente da Mãos Livres, uma organização não governamental de advogados.

"O número de pessoas mortas por armas de fogo (pela polícia) é assustador", disse o ativista jurídico à AFP, salientando que a polícia tinha recebido formação "paramilitar" onde aprendem "simplesmente a puxar o gatilho e a matar".

"Estamos a assistir a muitos excessos por parte da polícia durante o estado de emergência", lamentou também o diretor da organização Amigos de Angola, Rafael Morais.

Já esta sexta-feira, foi detido um antigo oficial da Polícia Nacional por suposta violação de uma cerca sanitária no município de Cambambe, noticiou a Angop.

Um responsável das autoridades explicou que o cidadão identificado como Lucoki Luteti, que alega ser efetivo da divisão policial de Kilamba Kiaxi, revelou estar a tentar deslocar-se para Lunda Norte por razões familiares.

Após diligências junto da divisão foi constatado que o infrator da cerca sanitária tinha sido expulso da força policial há três anos após condenação por violação de uma menor.

De acordo com os dados de quinta-feira à noite, Angola soma 607 infeções confirmadas pelo novo coronavírus, incluindo 28 mortes, 124 pessoas recuperadas da Covid-19 e 455 casos ativos.