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O colapso económico do Líbano

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O colapso económico do Líbano
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O Líbano enfrenta a pior crise económica em décadas. Calcula-se que a libra libanesa perdeu 60% do seu valor apenas no último mês e para agravar a situação, o país precisa de importar em dólares quase tudo o que necessita: 90% dos alimentos vêm do exterior.

Por causa da escassez de combustível, as falhas energéticas tornaram-se uma constante. "Temos eletricidade apenas duas horas por dia. Somos obrigados a utilizar geradores e nem sempre temos gasóleo. Conseguimo-lo a um preço muito elevado, no mercado negro. Talvez venhamos a ficar na escuridão total. Como professora o meu salário é miserável. Não posso sequer ir à mercearia. Tudo está quatro vezes mais caro", queixa-se Juliette Bekhaazi, professora de Inglês.

Devido à escassez de dólares no país, por causa da queda nas remessas e nos investimentos, os bancos impuseram fortes restrições aos levantamentos e transferências. "Acho que o sistema está falido. Os meus dólares e os dos meus pais, por exemplo, estão presos no banco e só os podemos levantar em libras libanesas, que perderam mais de 80% do seu valor no mercado negro, e vão afundar-se ainda mais", lamenta a estudante Vanessa Ghanem.

Ali Moussa, formado em Comunicação Social, teve de vender frutas e vegetais com o pai na beira da estrada, para ajudar a família. Agora, sonha emigrar: "Qualquer pessoa que possa viajar e sair deste país, não deve hesitar, porque nem dentro de um ano ou dez, este país vai avançar".

O colapso económico começou em outubro de 2019, altura em que houve protestos contra décadas de corrupção e má gestão política.

O Líbano está em conversações com o Fundo Monetário Internacional para um plano de resgate multimilionário e procura ajuda da comunidade internacional, em troca de reformas. Mas o Governo ainda não deu sérios passos nesse sentido.

"Os economistas têm avisado que caso o Líbano não tome medidas urgentes para restaurar a confiança da comunidade local e internacional, o país vai entrar num longo período de hiperinflação e depressão. E até agora não parece haver luz ao fundo do túnel", realça a correspondente da Euronews, Lea Fayed.