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Espanhóis vendem bens pessoais para fazer face ao coronavírus

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Espanhóis vendem bens pessoais para fazer face ao coronavírus
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Cristian Pérez gere um negócio familiar que produz peças para elevadores em Madrid. Durante o confinamento devido ao coronavírus, as encomendas cairam, mas ele recusou despedir trabalhadores e mudou a produção para fabricar componentes para ventiladores para os hospitais saturados.

Cristian Pérez, gerente: "Fabricámos sobretudo suportes para ventiladores, em alumínio, que podiamos enviar rapidamente para os hospitais. E fizemos isso quase de graça."

Depois de quase quatro meses sem grandes rendimentos e face a uma paisagem económica mais do que incerta, Cristian decidiu vender algum ouro e jóias de família.

Cristian Pérez, gerente: "Basicamente, o objetivo é injetar liquidez na empresa e cobrir os compromissos: impostos, salários, pagamentos aos fornecedores... Sinto-me um pouco como se traisse a minha mãe ou a minha avó, que foram mantendo as coisas para nós, mas quando falo com elas, elas percebem."

O negócio de compra e venda de ouro e lojas de penhores vai de vento em poupa na capital espanhola: com 3 milhões de desempregados e milhares de pequenos negócios obrigados a fechar as portas, muitos espanhóis procuram nas gavetas uma forma de obter algum dinheiro.

Cristina Julián Palacios, diretora de marketing da 4Dreams: "Recebemos telefonemas de pessoas, algumas a chorar, a pedir ajuda, porque precisam de dinheiro, para saber se podemos ir às suas casas fazer avaliações. Precisam de dinheiro e não querem saber do resto. Mas também é verdade que muitos são de classe média e alta e que querem livrar-se de jóias que passaram de moda e porque já não as usam."

Cerca de 30 por cento dos espanhóis dependem atualmente de apoios do Estado e o país vai receber cerca de 140 mil milhões de euros do Fundo Europeu de Recuperação para fazer face ao impacto da pandemia do coronavírus. E novos focos do vírus em vários pontos do país provam que a crise ainda está longe de terminar.

Jaime Velázquez, euronews: "A economia espanhola sofreu uma impressionante contração de 18 por cento no segundo trimestre e o primeiro-ministro Pedro Sanchez já avisou que ainda estão para vir mais meses difíceis. Uma recuperação total não é esperada antes de 2023."