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Opositora bielorrussa Maria Kolesnikova detida na fronteira com a Ucrânia

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Opositora bielorrussa Maria Kolesnikova detida na fronteira com a Ucrânia
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A opositora bielorrussa Maria Kolesnikova estará detida na fronteira do país com a Ucrânia depois de esta segunda-feira ter misteriosamente desaparecido, segundo a televisão oficial de Minsk, citada pela agência noticiosa russa TASS.

Kolesnikova, membro do Conselho de Coordenação da oposição bielorrussa, terá sido capturada quando tentava atravessar a fronteira para a Ucrânia. "Os membros do conselho de coordenação para a tomada do poder Anton Rodnenkov e Ivan Kravtsov fugiram para o exterior esta noite. Estão no território da Ucrânia. A colega Maria Kolesnikova tentou sair ilegalmente do território da República da Bielorrússia, mas foi detida na fronteira", pode ler-se numa rede social da televisão estatal TV Belarus-1.

Os colegas da opositora afirmam que Maria Kolesnikova nunca teve planos para deixar o país, levando a crer que se está perante uma encenação. Um Membro do Conselho de Coordenação da Bielorrússia, Maxim Znak, afirmou à TASS que Kolesnikova não ia deixar o país.

“Há muitas coisas estranhas nesta história, anunciada pela televisão bielorrussa. Nenhum deles, Anton Rodnenkov, Ivan Kravtsov e Maria Kolesnikova, tinham intenção de deixar o país", referiu.

Europa pede explicações

O governo alemão pede explicações: O chefe da diplomacia Heiko Maas diz que Berlim quer saber o paradeiro de Kolesnikova e exige a libertação dos presos políticos na Bielorrússia.

"Estamos profundamente preocupados com a Sra. #Kolesnikova e com a onda de repressão contra a oposição, que está pronta para o diálogo, e isso é inaceitável. Enquanto UE, estamos a trabalhar num pacote de sanções. Se #Lukashenko não mudar o rumo, reagiremos".

Também a União Europeia, através de um comunicado do alto representante da política externa Josep Borrell, prometeu sanções contra os responsáveis pela violência, repressão e falsificação de resultados eleitorais.

Comunicado da União Europeia

A opositora foi vista pela última vez em Minsk, quando foi aparentemente raptada por homens encapuçados. A versão do regime bielorrusso sugere que se terá tratado de uma encenação.

Só nas manifestações de domingo, foram detidas cerca de 600 pessoas. O advogado de Kolesnikova, Illia Salei, diz que a polícia não dá informações. Contactámos a polícia e os serviços secretos (KGB) e não sabem onde ela se encontra. A segurança de Maria é a prioridade número um. É a líder de uma equipa que tem a confiança de milhões de bielorrussos, que lhe admiram a coragem de lutar pelos direitos cívicos", diz.

Kolesnikova é um dos membros do conselho de coordenação da oposição bielorrussa, que acusa o presidente Lukashenko de usar, abertamente, métodos de terror.

Já Lukashenko, no poder de forma ininterrupta desde 1994, reeleito agora para um sexto mandato, diz que o conselho coordenador quer tomar o controlo do estado e atenta contra a segurança do país.

Os protestos não dão tréguas. Desde as eleições, centenas de milhares de bielorrussos têm saído à rua, todos os dias, para pedir o fim da era Lukashenko. São as maiores manifestações desde a independência da Bielorrússia.