Última hora
This content is not available in your region

"Estado da União": Brexit em queda livre e retoma económica

euronews_icons_loading
"Estado da União": Brexit em queda livre e retoma económica
Direitos de autor  Kirsty Wigglesworth/Copyright 2020 The Associated Press. All rights reserved
Tamanho do texto Aa Aa

A decisão do governo britânico de alterar o acordo de saída do país da União Europeia, ratificado em 2019, causou alarme no bloco europeu e pode ser a machadada final na negociação sobre o futuro acordo comercial e político entre as partes.

Além deste tema, está também em destaque no programa as medidas para a retoma económica quando a possibilidade de segunda vaga da pandemia na Europa parece eminente.

Contudo, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, parece otimista, segundo declarações no Fórum Económico de Bruxelas: “A resposta económica global da Europa tem sido muito superior aos pacotes de estímulo dos Estados Unidos ou da China. Enviamos uma mensagem não só aos nossos cidadãos, mas também ao resto do mundo: a Europa é uma potência mundial e estamos prontos para defender com firmeza os nossos interesses".

Para falar das oportunidades e riscos, Stefan Grobe entrevistou Thiess Petersen, economista na Fundação Bertelsmann.

Stefan Grobe/euronews: A pandemia de Covid-19 causou uma enorme recessão económica global. Mas diz que já há sinais de recuperação, em particular na Europa. Quais são esses sinais?

Thiess Petersen/economista: Existem alguns sinais de esperança para a economia da Europa. Houve uma queda acentuada da produção industrial em março e abril, mas em maio e junho, a produção industrial foi aumentando ao ritmo de 10% ao mês. E há bons sinais no resto do mundo, nomeadamente na China, que ultrapassou o fundo do poço económico no primeiro trimestre de 2020, registando no segundo trimestre um grande aumento no PIB. E isso é positivo para a economia europeia, porque agora as suas s empresas podem aumentar as exportações para a China.

Stefan Grobe/euronews: No entanto, na Europa existem dois cenários bem diferentes. A Alemanha, por exemplo, está a sair-se melhor do que o resto da Europa. Porquê?

Thiess Petersen/economista: Em primeiro lugar, está em causa a duração e a abrangência dos confinamentos em vigor nos vários países: Itália, Espanha e França impuseram restrições na vida pública muito mais duras do que a Alemanha. E em segundo lugar, a estrutura económica é importante. As empresas de manufatura podem continuar a produzir bens mesmo que não tenham muitos consumidores neste momento. A compra de um carro, que alguém havia previsto para março de 2020, pode ser adiada para o outono ou inverno. Já em muitos setores de serviços, isso não é possível, pelo que os países do sul da Europa, que dependem do turismo, foram particularmente afetados pela falta de turistas.

Stefan Grobe/euronews: A União Europeia está a criar um gigantesco pacote de recuperação a nível comunitário para juntar aos planos nacionais. Existe o risco dos défices públicos virem a prejudicar muito o crescimento económico no futuro?

Thiess Petersen/economista: De facto as perdas nas receitas fiscais e os gastos adicionais do governo levaram a um grande aumento da dívida pública. No entanto, penso não há alternativa a maior despesa por parte dos governos. Numa crise económica tão severa, os governos devem intervir para evitar uma crise económica ainda pior. Portanto, sem o apoio do governo do ponto de vista orçamental, existe o perigo de desemprego em massa e de mais falências, o que enfraqueceria o desenvolvimento económico ao longo de vários anos.

Stefan Grobe/euronews: Existe o risco da taxa de infeção por Covid-19 aumentar fortemente já no outono. Quão arriscados são novos confinamentos para a recuperação económica na Europa?

Thiess Petersen/economista: Tudo depende se os confinamentos forem impostos de forma geral, afetando toda a economia, ou só em zonas de surtos. Um novo confinamento a nível nacional causaria a esse país sérios danos económicos. Se houver um confinamento numa região vizinha daquela em que vivo, também aumenta o receio de que possa ser decretado confinamento na minha região. Essa incerteza tem um impacto negativo na procura dos consumidores, no emprego e no investimento.