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Balanço de (quase) um ano de Comissão Europeia

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Balanço de (quase) um ano de Comissão Europeia
Direitos de autor  YVES HERMAN/POOL/AFP
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A alemã Ursula von der Leyen tomou posse como presidente da Comissão Europeia há nove meses, marcados por muita turbulência política, económica e social. Há menos de um ano deixou promessas gerais para o novo mandato, mas no discurso sobre o Estado da União, quarta-feira, no Parlamento Europeu, esperam-se propostas concretas para os desafios em tempos de pandemia, recessão económica e populismo.

A euronews pediu a jornalistas e analistas políticos em Bruxelas um balanço sobre o trabalho da Comissão Europeia.

Um dos temas em destaque é a pandemia de Covid-19, que chegou à Europa na primavera, levando ao quase colapso de alguns sistemas de saúde, ao confinamento das populações e ao encerramento de fronteiras.

Apesar da Comissão Europeia ter apelado ao espírito de solidariedade, nem sempre foi atendida.

"Os governos não se saíram muito bem no início da pandemia em termos de reação instintiva, de comunicação e de demonstração de solidariedade, especialmente no caso da Itália. Nas questões ligadas à circulação e controlo de fronteiras não existiu quase coordenação, sobretudo no denominado espaço Schengen, o que foi muito chocante para a Comissão Europeia", disse Matina Stevis-Gridneff, correspondente do jornal "The New York Times".

Mas os líderes dos 27 governos da União chegaram a acordo sobre um orçamento para os próximos sete anos que inclui um fundo de recuperação de 750 mil milhões de euros, com mutualização dessa dívida,

"Penso que as pessoas vão lembrar-se deste acordo sobre a mutualização da dívida. Foi um grande avanço na União Europeia para o qual contribuiu Ursula von der Leyen, que geriu o processo da melhor maneira possível num momento muito difícil", disse Duncan Robinson, correspondente da revista "The Economist".

Migração que agrade a todos

Um incêndio no início de setembro destruiu o campo de refugiados de Moria, na Grécia, que era o maior da Europa e chamou a atenção para o facto de que a política de asilo e migração continuar num impasse, cinco anos após o pico da chegadas à União.

Não se pode esperar que a Hungria aceite algo que recusou tantas vezes. Esse país poderá apenas dar dinheiro para não receber migrantes. É preciso gerir esta realidade de acordo com o que espera cada um dos países, criando um grande plano que todos possam aceitar.
Brian Maguire
correspondente do website Euractiv

"A minha maior crítica à Comissão Europeia sempre foi o facto de prometerem um grande plano que possa agradar a todos mas, na realidade, apenas têm tentado reescrever os planos existentes e isso não vai funcionar. Não se pode esperar que a Hungria aceite algo que recusou tantas vezes. Esse país poderá apenas dar dinheiro para não receber migrantes. É preciso gerir esta realidade de acordo com o que espera cada um dos países, criando um grande plano que todos possam aceitar, o que significa dar incentivos e desincentivos ", disse Brian Maguire, correspondente do website Euractiv.

Na frente diplomática e comercial com o resto do mundo, a União Europeia enfrenta importantes desafios, seja nas relações com a China e com a Rússia, como nas crises no Mediterrâneo Oriental e na Bielorrussia, para não falar da montanha-russa que é processo do Brexit com o Reino Unido

“Penso que maior sucesso da Comissão Europeia terá sido, ​​simplesmente, fazer com as pessoas se foquem, também, na política externa europeia. Agora há muito mais debate e consenso sobre esse assunto", considerou Ian Lesser, diretor da delegação em Bruxelas do centro de estudos German Marshall Fund.

A Comissão Europeia fez alguns avanços num período muito difícil, mas as expetativas sobre o futuro também são muito altas.