EventsEventos
Loader

Find Us

FlipboardLinkedin
Apple storeGoogle Play store
PUBLICIDADE

O degelo do Mar de Gelo

O degelo do Mar de Gelo
Direitos de autor Guillaume Petit, Euronews
Direitos de autor Guillaume Petit, Euronews
De  Euronews
Partilhe esta notíciaComentários
Partilhe esta notíciaClose Button
Copiar/colar o link embed do vídeo:Copy to clipboardCopied

Cientistas dizem que terceiro maior glaciar dos Alpes pode ter os dias contados

PUBLICIDADE

Mar de Gelo, é o nome pelo qual é conhecido o maior glaciar de França e o terceiro maior da cadeia montanhosa dos Alpes. Mas, face aos efeitos do aquecimento global, pode ter os dias contados e mesmo desaparecer completamente, segundo os cientistas.

Luc Moreau é um glaciólogo que estuda o Mar de Gelo há três décadas e a constatação é flagrante.

Luc Moreau, glaciólogo:"Há duzentos anos, o cume alcançava as rochas polidas, ali em cima. Nos últimos dois séculos, o glaciar encolheu e podemos ver claramente a sua erosão, com esta areia e cascalho, que mostra o nível que o glaciar tinha há duzentos anos."

Nos últimos 100 anos, o Mar de Gelo, junto ao emblemático Monte Branco, ponto culminante da Europa Ocidental, perdeu mais de um quarto da sua espessura e encolheu em cerca de dois quilómetros.

Guillaume Petit, euronews:"Desde o meio do século 19, as temperaturas médias nos Alpes subiram dois graus centígrados, mais do dobro do aumento a nível global."

Os peritos dizem que o Mar de Gelo vai continuar a encolher e pode mesmo desaparecer, se as emissões de CO2 não forem controladas até ao fim do século.

O glaciar de Argentière, também no maciço do Monte Branco, já é quase impossível de vislumbrar a partir do vale. O desaparecimento dos glaciares não é apenas consequência do aquecimento global, mas serve também de acelerador para os efeitos.

Ludovic Ravanel, geomorfólogo:"Quanto mais o clima aquece, mais os glaciares encolhem e há menos superfícies brancas, que repelem a radiação solar. Glaciares que derretem significa mais superfícies cinzentas, o que acelera o processo de aquecimento global."

Outras consequências são menos vísiveis. A subida das temperaturas também conduz ao degelo do chamado "permafrost" alpino, descrito por muitos cientistas como o "cimento" das montanhas. Como consequência, assiste-se a uma destabilização dos solos, o que provoca deslizamentos de terras e põe em risco centenas de instalações nos Alpes.

Ludovic Ravanel, geomorfólogo:"É verdade que, nos últimos 20 anos, temos assistido a uma instabilidade crescente nos abrigos de montanha e instalações de esqui. As renovações são custosas, por isso é melhor antecipar, fazendo estudos de impacto para evitar alguns dos erros que já foram cometidos."

No maciço do Monte Branco, o período de queda de neve diminuiu em média 40 dias nas altitudes inferiores a 2500 metros, desde os anos 70. Estas mudanças estão a mudar a prática do alpinismo.

Olivier Gréber, presidente da Companhia de Guias de Chamonix:"Alguns itinerários tornaram-se inacessíveis. Quando o fenómeno é rápido, é mais difícil de se adaptar. Penso que faremos as coisas de forma distinta, mas ainda assim acredito que a profissão de guia vai sobreviver."

As consequências do aquecimento global não se fazem sentir apenas na paisagem e na forma de explorar a região montanhosa dos Alpes franceses, altamente dependente do turismo, que representa cerca de um quarto dos seus rendimentos totais.

Partilhe esta notíciaComentários

Notícias relacionadas

Glaciares dos Pirenéus vão desaparecer em menos de 30 anos

Região oriental da Rússia sob estado de emergência

Megabacias de armazenamento de água na origem de conflitos em França