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Bielorrússia: Tsikhanouskaya desiludida com fracas sanções da UE

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De  Isabel Marques da Silva
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Bielorrússia: Tsikhanouskaya desiludida com fracas sanções da UE
Direitos de autor  JOHN THYS/AFP or licensors
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A partir do exílio na Lituânia, Sviatlana Tsikhanouskaya luta por novas eleições livres na Bielorrússia, após a alegada fraude no escrutíneo de 9 de agosto.

Em Bruxelas para receber o prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento, Tsikhanouskaya disse à euronews que o povo bielorrusso está desiludido com as sanções até agora aprovadas pela União Europeia contra o regime.

No poder há 26 anos, Aleksander Lukashenko não reconheceu a alegada vitória da líder da oposição e ordenou uma violenta repressão às manifestações pacíficas.

"Imagine, 32 mil pessoas estão detidas na prisão e apenas cerca de 80 pessoas estão na lista de sanções. Isto não é sério. A situação é tão terrível no país, tantas pessoas foram torturadas, violadas e maltratadas nas prisões que estas medidas são tão mínimas e tão lentas... realmente esperávamos muito mais", disse a líder da oposição democrática da Bielorrússia.

Pensar em soluções não convencionais para o diálogo

As pessoas que estão lá lutam pelos mesmos valores que aqui são aclamados. Por favor, ajudem-nos e assumam declarações e decisões tão corajosas quanto aquelas que o povo bielorrusso está a tomar.
Sviatlana Tsikhanouskaya
Líder da oposição da Bielorrússia

Apesar de várias tentativas, o diálogo entre a oposição e o regime não existe e Tsikhanouskaya aprova a sugestão do Parlamento Europeu de criar um grupo de alto nível com ex-chefes de Estado e governo para ir em missão ao país.

"As pessoas que estão lá lutam pelos mesmos valores que aqui são aclamados. Por favor, ajudem-nos e assumam declarações e decisões tão corajosas quanto aquelas que o povo bielorrusso está agora a assumir. Insistimos que os países europeus, isoladamente ou nesta União, têm de procurar oportunidades para abrir o diálogo, têm de continuar a procurar formas não convencionais de resolver este problema", afirmou Tsikhanouskaya.

De símbolo da liberdade a líder

Professora e mãe de dois filhos, com o marido detido por ter anunciado que seria candidato, Tsikhanouskaya obteve oficialmente 10% dos votos. No início do processo disse que era um símbolo de liberdade e não uma líder, mas agora tem uma visão clara para o futuro.

"Posso considerar que sou líder democrática da Bielorrússia porque as pessoas escolheram-me como líder. Eles escolheram-me para presidente, mas como não temos provas legais disso, não posso intitular-me dessa forma. No que se refere ao Prémio Sakharov, estamos muito honrados, o povo da Bielorrússia conseguiu depois de ter sido nomeado para o prémio pela terceira vez. Isso significa que a nossa luta pela democracia é bastante longa, mas este ano é diferente porque as pessoas da Bielorrússia acordaram, tornaram-se realmente livres no coração e na cabeça", concluiu.