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Trump perdoa homem que há 2 meses sugeriu decapitar diretor do FBI

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Steve Bannon (à direita) foi diretor de campanha e principal estratega de Donald Trump
Steve Bannon (à direita) foi diretor de campanha e principal estratega de Donald Trump   -   Direitos de autor  AP Photo/Evan Vucci
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Steve Bannon recebeu o perdão total do Presidente cessante, naquele que foi um dos últimos atos oficiais de Donald Trump antes de entregar indiretamente as chaves da Casa Branca a Joe Biden.

Numa tradicional concessão de final dos mandatos presidenciais nos Estados Unidos, Trump ratificou mais de 140 indultos, incluindo 73 absolvições completas, onde se inclui o antigo diretor da campanha presidencial de 2016 e um dos primeiros conselheiros da estratégia presidencial.

O perdão total surge, no entanto, apenas dois meses após o antigo editor da revista de extrema-direita Breitbart ter sugerido num "podcast" divulgado pelas redes sociais as decapitações de Anthony Fauci, um dos mais conhecidos líderes da equipa norte-americana de combate à pandemia, e de Christopher Wray, o diretor do FBI.

"O segundo mandato vai começar com os despedimentos de Wray e Fauci. Agora eu até gostava de ir um pouco mais longe, mas compreendo que o Presidente tenha bom coração e seja um bom homem. No entanto, eu gostava de voltar aos tempos de Tudor em Inglaterra e colocar-lhes as cabeças em estacas nos dois cantos da Casa Branca como um aviso para os burocratas federais", afirmou de viva voz Steve Bannon no programa "War Room: Pandemic", emitido a 5 de novembro de 2020.

A rede social Twitter suspendeu a conta de Steve Bannon por causa deste podcast por violação das regras, especificamente as regras de conduta contra a glorificação de violência.

Também a rede Youtube removeu o episódio em causa, por violação da respetiva política contra o incitamento à violência.

Alguns meios de comunicação estão a sugerir que o perdão total de Trump a Bannon tem o objetivo de proteger o antigo colaborador do julgamento da acusação de ter enganado, com mais três pessoas, os doadores de uma campanha de fundos para a construção do muro na fronteira com o México.

Um caso pelo qual Bannon a ser preso em junho e no qual se assume inocente da acusação de ter desviado, através de uma organização sem fins lucrativos, mais de um milhão de dólares (€825 mil) dos mais de 25 milhões de dólares (€20,6 milhões) angariados pela campanha "We Build the Wall" ("Nós Construímos o Muro"), com suspeitas de ter usado parte para despesas pessoais.

Steve Bannon acabou libertado após pagar uma fiança de cinco milhões de dólares (€4,1 milhões).

No texto do indulto, Donald Trump descreve o antigo diretor de campanha como "um importante líder no movimento conservador, famoso pela perspicácia política".

Outro perdão total concedido a causar controvérsia é o de Elliot Broidy. O antigo vice-presiente das Finanças da Comissão Nacional Republicana tinha sido condenado por conspiração ao servir de agente não registado ao serviço de um responsável estrangeiro.

Broidy confessou ter feito lóbi ilegal contra o Governo dos EUA para abafar a investigação de um escândalo de corrupção na Malásia.

Também na lista de perdões foram incluídos os músicos Lil Wayne e Kodak Black. O primeiro tinha sido acusado de posse ilegal de arma. O segundo vê reduzida uma pena por declarações falsas ao FBI.

De fora da lista, ficou o próprio Donald Trump, a respetiva família, o próprio advogado Rudy Giulianni e o suspeito de pirataria Julian Assange.

Alguns procuradores e especialistas são citados pelo Washington Post a referir "uma área cinzenta" na Constituição pela qual um presidente pode emitir perdões "secretos", sem necessidade de notificar o Congresso ou os eleitores.

Outras fontes • Washington Post, Guardian