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NATO e Rússia enaltecem abertura de Biden ao desarmamento nuclear

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De  Francisco Marques com Associated Press, France Press
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Exercício militar na base russa de mísseis balísticos intercontinentais de Plesetsk
Exercício militar na base russa de mísseis balísticos intercontinentais de Plesetsk   -   Direitos de autor  Ministério da Defesa Russo via AP, Arquivo
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Estados Unidos e Rússia parecem estar em convergência para o prolongamento por cinco anos do tratado de desarmamento nuclear “New Start” (tr.: Novo Começo, sendo S.T.A.R.T., uma sigla inglesa para Strategic Arms Reduction Treaty ou Tratado de Redução de Armas Estratégicas).

A aproximação das duas potências aconteceu após a Aliança do Tratado do Atlântico Norte, a NATO, ter apelado a ambos os governos para prolongarem o acordo.

O tratado prestes a expirar a 5 de fevereiro foi assinado em 2010 por Barack Obama e Dmitry Medvedev, à altura os dois presidentes de Estados Unidos e Rússia, tendo por finalidade limitar cada país a 1.550 ogivas nucleares e 700 mísseis e bombardeiros posicionados.

Em conferência de imprensa realizada esta sexta-feira, o secretário-geral da NATO enalteceu a entrada em cena do novo Presidente dos Estados Unidos.

"Saúdo o anúncio e a intenção do Presidente Biden de procurar uma extensão do tratado New START. Tenho dito repetidamente: não devemos acabar numa situação em que não há acordo.(...)

"Uma extensão do tratado não é o fim. Deve ser, sim, o princípio de renovados esforços para aumentar o controlo internacional das armas; para tentar englobar mais sistemas de armamento; e também para incluir mais nações, como por exemplo, a China.
Jens Stoltenberg
Secretário-geral da NATO

Do lado russo, o Presidente Vladimr Putin também enalteceu a vontade política manifestada quinta-feira por Joe Biden para prolongar o tratado de desarmamento nuclear entre as duas potências.

Enquanto aguarda pela proposta da nova Administração dos Estados Unidos, a Rússia garante que a "tudo depende apenas dos detalhes da nova proposta", que "precisam de ser estudadas", lembrando que a derradeira proposta da Administração Trump não agradou.

Algumas destas condições apresentadas não eram de todo aceitáveis para nós, por isso vamos primeiro ver o que os americanos vão agora propor e depois comentamos
Dmitry Peskov
Porta-voz do Presidente Vladimir Putin

Donald Trump retirou os Estados Unidos de três acordos internacionais de grande peso: o acordo nuclear com o Irão; o Tratado INF (forças nucleares de médio alcance); e o Tratado Céu Aberto (voos desarmados de vigilância sobre os territórios dos países signatários). A Rússia, em contrapartida, também se retirou recentemente deste último.

O agora ex-presidente dos EUA deixou as relações entre a Casa Branca e o Kremlin no ponto mais distante desde o final da Guerra Fria devido a desacordos persistentes em diversas questões internacionais.

A Administração Trump acusou ainda a Rússia de interferências em atos eleitorais e de ataques cibernéticos de grande escala, o que Biden também pretende investigar.

Tratado antinuclear da ONU entra em vigor

À margem do Tratado New START, entrou em vigor esta sexta-feira, 75 anos após os bombardeamentos de Hiroshima e Nagásaki, o primeiro tratado internacional de proibição de armamento nuclear, aprovado há quatro anos pela Assembleia-geral das Nações Unidas.

O TPNW (Tratado de Proibição de Armas Nucleares, na tradução direta da sigla) impede os países signatários de "desenvolver, testar, produzir, fabricar, adquirir, possuir ou armazenar armas nucleares ou outros dispositivos nucleares explosivos".

Os governos implicados estão ainda proibidos de "transferir", "receber", "usar ou ameaçar com o uso de armas nucleares ou outros dispositivos explosivos nucleares".

Apesar das boas intenções deste tratado aprovado pela ONU, nenhum dos nove países reconhecido como detentores de armas nucleares integrou o acordo.

Aos Estados Unidos, Rússia, China, Índia, Paquistão, Coreia do Norte, Israel, França e Reino Unido, somam-se ainda as ausências de Japão, Austrália e os Estados-membros da NATO, onde se inclui Portugal.

Washington e a Aliança Atlântica questionam a verificação e monitorização dos restantes países detentores de armas nucleares.

Outras fontes • Público