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Pandemia fez aumentar violência sobre idosos

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De  Isabel Marques da Silva  & Méabh Mc Mahon
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Pandemia fez aumentar violência sobre  idosos
Direitos de autor  Meabh Mc Mahon
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Além da maior fragilidade física enquanto vítimas da Covid-19, os idosos estão também a ser muito afetados pela negligência e violência doméstica, que aumentaram com a pandemia em várias camadas da população.

As organizações não-governamentais têm assistido a essa deterioração em primeira mão, segundo Borja Arrue, da Plataforma Age Europe: "Sabemos que a pandemia poderá ter agravado alguns dos fatores de risco de violência sobre os idosos. Vêem-se isolados sozinhos em casa, ou apenas com cuidados informais, havendo menos profissionais disponíveis do que antes para os ajudarem no seu quotidiano. Com as pessoas mais fechadas em casa pode estar a ocorrer mais violência".

De acordo com a Plataforma Age Europe, 2500 idosos morrem, por ano, na Europa, em consequência direta dos maus trato. Mas apenas um em cada 24 casos são denunciados às autoridades.

A vergonha, e muitas vezes a incapacidade física ou mental para pedirem ajuda, torna esta população ainda mais vulnerável.

A euronews falou com uma belga de 85 anos que pediu o anonimato para partilhar a sua experieêcia, que é sobretudo de abandono e de humilhação, sem ter quem a proteja de um marido muito violento.

"Existem muitas pessoas, diria milhares, de idosos que estão na mesma situação que eu, que estão na sombra e que não podem fazer nada para resolver a situação. É terrível viver completamente sozinha", explicou.

Desde sempre fui maltratada e espancada, as crianças também. E isso fica marcado na nossa alma, no nosso coração"
Vítima de violência doméstica, 85 anos
Bélgica

Uma organização denominada Respeitar os Séniores conseguiu chegar ao contacto com esta idosa e tem-lhe dado o apoio necessário, que sobretudo passa por lhe fazer companhia, evitando que fique tão exposta aos maus tratos,

"Isto começou há 50 anos, tenho vivido num ambiente de violência. Casei-me com um homem violento, mesmo se ele parecia ser simpático em frente dos outros. Mas desde sempre fui maltratada e espancada, as crianças também. E isso fica marcado na nossa alma, no nosso coração", disse, ainda.

A correspondente da euronews Meabh Mc Mahon explica que "as organizações não-governamentais esperam que as instituições europeias coloquem o abuso de idosos no topo da agenda política e que incentivem os Estados-membros a abordarem o assunto com maior seriedade".