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Novo ministro da Saúde "recebido" com recorde diário de mortes

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De  Francisco Marques com AFP
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Marcelo Queiroga toma posse ao lado do antecessor, o general Eduardo Pazuello
Marcelo Queiroga toma posse ao lado do antecessor, o general Eduardo Pazuello   -   Direitos de autor  EVARISTO SA / AFP
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O Brasil apresentou um novo ministro da Saúde, o quarto titular da pasta desde o início da pandemia, no mesmo dia em que bateu o recorde diário de mortes com Covid-19.

Os últimos dados oficiais apresentados pelo Governo federal, esta terça-feira ao final da tarde, revelaram 2.841 óbitos em 24 horas (uma letalidade de 2,4% ou 134,2 por 100 mil habitantes).

O país registou ainda 83.926 novas infeções, no quadro da epidemia gerido pelo Ministério da Saúde, foi o terceiro dia com mais novos casos. em termos de recuperações, as autoridades revelaram apenas o número total e esta terça-feira chegavam aos 10,2 milhões.

Em paralelo, a contagem alternativa efetuada por um consórcio de órgãos da imprensa brasileira (G1, O Globo, Extra, Estadão, Folha e UOL) e baseada nos dados das secretarias estaduais de Saúde, avançou com o registo de 2.798 mortes com Covid-19 em 24 horas, estimando uma média móvel de 1.976 mortes, nos sete dias anteriores.

O jornal Folha de São Paulo equiparou este novo recorde de mortes diárias no Brasil com o balanço de vítimas dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 contra as Torres Gémeas, em Nova Iorque, onde morreram cerca de 2.750 pessoas, de acordo com a Enciclopédia Britannica.

O trágico recorde no Brasil foi conhecido pouco depois da tomada de posse do novo ministro de Saúde, agora de novo um profissional médico.

O cardiologista Marcelo Queiroga recebeu a pasta do general Eduardo Pazuello, que ocupava o lugar de forma interina desde junho do ano passado, depois de a também cardiologista Ludhmila Hajjar ter recusado o cargo por não ter encontrado "convergência técnica" com Presidente Jair Bolsonaro.

O novo ministro da Saúde prometeu seguir as políticas do antecessor ao mesmo tempo que apelou à população para ajudar a travar o vírus, respeitando as medidas recomendadas, sobretudo o uso de máscara sempre que se saia de casa.

Com hospitais por todo o país saturados com "doentes covid", sobretudo em Manaus, Queiroga espera conseguir unir esforços com os governos estaduais, dos quais alguns se têm assumido revoltados pela conduta seguida pelo Presidente perante a epidemia.

Corrupio de ministros na Saúde

Jair Bolsonaro iniciou o corrupio de ministros da Saúde em abril do ano passado, depois de entrar em conflito com o então titular, o ortopedista Luiz Henrique Mendietta, nomeadamente por causa do uso de cloroquina contra o SARS-CoV-2, promovido pelo chefe de Governo, e o uso de máscara, ainda hoje poucas vezes seguido pelo líder dos brasileiros.

Seguiu-se o oncologista Nelson Teich, mas a resistência do Presidente em respeitar os dados da ciência terá levado o ministro a bater com a porta cerca de um mês depois, a 15 de maio.

Após duas semanas de vazio e muitas críticas, Bolsonaro entregou a gestão da Saúde a um homem de confiança, o general Eduardo Pazuello, que nunca conseguiu encontrar uma fórmula de travar o galopar do SARS-CoV-2 no país, sobretudo depois do aparecimento da chamada variante brasileira, a P1 ou B1128, atualmente dominante em Manaus.

Agora, com a troca do militar por um novo médico na liderança do Ministério da Saúde, os brasileiros dividem-se entre o elogio e a desconfiança.

O médico Lucas Martins defende como "avanço" a colocação de "um profissional da saúde num cargo de chefia da saúde" quando comparado a "ter um general militar a gerir um cargo que precisa de conhecimentos específicos". "O que, no caso, ele (Pazuello) mostrou não ter", concretizou.

O empresário Leonardo Brito considera que a troca "não muda nada porque quem manda é o número um", referindo-se ao Presidente Jair Bolsonaro. "Qualquer ministro que ele colocar vai fazer exatamente o que ele mandar", avisa.

A mudança de ministro da Saúde fez as manchetes dos jornais, num dia em que uma nova sondagem da Datafolha sugeriu queda do apoio a Bolsonaro.

A pesquisa faz capa do jornal Folha de São Paulo esta quarta-feira, com o título "Rejeição da gestão Bolsonaro na pandemia tem pior marca".

"Segundo o Datafolha, 54% dos brasileiros veem sua atuação como ruim ou péssima na semana em que foi apresentado o quarto ministro da Saúde de seu governo. Na pesquisa passada, realizada em 20 e 21 de janeiro, 48% reprovavam o trabalho de Bolsonaro", lê-se no artigo do jornal.

A sondagem, realizada através de 2.023 contactos telefónicos nos dias 15 e 16 de março, indica ainda 43% de opiniões consideram o Presidente o principal culpado pela fase mais grave da epidemia no Brasil e admitem o colapso do sistema nacional de saúde.

Outra sondagem realizada pela Federação Brasileira de Bancos, em parceira com o Ipespe e citada terça-feira pela Agência Brasil, estima que 55% dos brasileiros considera a gestão pandémica dos governos estaduais e municipais insuficiente e 7% consideram-na exagerada.

Para 74% dos inquiridos a pandemia agravou-se, enquanto 9% consideram que a situação está a melhorar.

Na mesma pesquisa, realizada entre 1 e 7 de março, com 3 mil pessoas de mais de 18 anos de idade das cinco regiões do país, 77% dos inquiridos apontaram a vacinação como a única forma segura e eficaz de proteção contra a Covid-19.

Editor de vídeo • Francisco Marques

Outras fontes • Agência Brasil, Folha, G1