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Botswana quer membros da SADC comprometidos com Moçambique

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Presidente do Botswana, Mokgweetsi Masisi
Presidente do Botswana, Mokgweetsi Masisi   -   Direitos de autor  Euronews
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A situação no norte de Moçambique é uma preocupação dos estados-membros da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC). O presidente do Botswana, de passagem por Angola no início da semana, reiterou ao microfone da Euronews, em entrevista exclusiva, a necessidade dos países da região se envolverem na busca de uma decisão comum que vincule todos as capitais.

Presidente do Botswana, Mokgweetsi Masisi:

"O Botswana tem atualmente a presidência do Órgão da SADC de Política e Segurança e tem convocado reuniões para discutir questões de instabilidade na área. Mais recentemente tem-se concentrado na situação de Moçambique.

A província de Cabo Delgado está sob ataques intensos de insurrectos que mutilam pessoas, decapitam pessoas e cometem atrocidades muito, muito violentas. Continuam sem rosto porque não sabemos quem são os líderes, não sabemos quais são as suas missões, quais são os seus objetivos, pelo que temos intervindo no sentido de ajudar Moçambique. E a ajuda que oferecemos é a ajuda que é desejada por Moçambique. Para além do apoio moral que lhes damos, precisam de capacidade para combater a insurreição.

Por isso, os países da SADC estão empenhados em garantir essa ajuda a Moçambique. Também precisamos de prestar apoio na frente humanitária. E para que seja tomada uma decisão decisiva que obrigue toda a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, recomendámos a convocação de uma Cimeira Extraordinária de Chefes de Estado e de Governo, em Maputo, até ao dia 20 de Junho, recomendação que foi entretanto adotada."

A maior fonte de água do Botswana nasce em Angola. O desenvolvimento económico da bacia hidrográfica do Cubango é por isso seguida com atenção pelo governo de Mokgweetsi Masisi.

Presidente do Botswana, Mokgweetsi Masisi:

"Bem, como discutimos com o Presidente Lourenço, pretendemos reforçar a cooperação em cada área e o ponto de partida é compreender o que a ecologia contém, o que o ambiente contém. Nós, no Botswana, explorámos o terreno e a beleza proporcionada pelas águas de Angola que compõem o Delta, em formas particulares, e cabe a Angola ver se é isso que eles também querem fazer, ou fazer outra coisa qualquer. Desde que, o que quer que seja feito seja sustentável e não traga danos ao Delta e às águas, está tudo bem.

Por isso, concordámos em cooperar e colaborar. É realmente uma questão aberta sobre o que pode ser feito, no contexto das origens do Delta do Cubango, águas que começam em Angola e na na Área de Conservação Transfronteiriça Cubango-Zambeze, e estou muito contente e grato ao Presidente Lourenço porque declararam 9 milhões de hectares de terra nobre de Angola como fazendo parte de uma área protegida."

Angola e Botswana partilham igualmente outra riqueza: os diamantes. Um setor onde os dois países podem trabalhar em conjunto. O presidente do país que mais produz diamantes em África diz que um sistema de boa governança é fundamental e mostra-se bastante crítico quanto aos diamantes feitos em laboratório.

Presidente do Botswana, Mokgweetsi Masisi:

Gostaria que o Botswana e Angola caminhassem lado a lado na área da indústria diamantífera, refiro-me à base dos conhecimentos, ao espaço de competências técnicas, à capacidade de acrescentar valor, à capacidade de comercializar, de trabalhar a jusante, a lapidação, o marketing e a venda a retalho.

Gostaria que o Botswana e Angola se unissem para proteger a indústria, em particular de ameaças à sua viabilidade e as ameaças públicas à sua viabilidade têm a ver com a perceção, o conceito do que é um diamante. Um diamante nunca é cultivado em laboratório, o que é uma perceção muito importante reter. Não se trata de um diamante. Nunca será um diamante, é quase como uma notícia falsa, por isso os diamantes naturais, que são usados para o bem, são a melhor resposta que podemos dar. Esta é uma narrativa que precisamos de defender juntos, e não separados.