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"Estado da União": PRR e cimeira UE-EUA em destaque

De  Euronews
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"Estado da União": PRR e cimeira UE-EUA em destaque
Direitos de autor  BRENDAN SMIALOWSKI/AFP or licensors
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A 1 de julho entra em vigor o "Certificado Digital Covid-19 da UE", que deverá facilitar as viagens na União Europeia.

Muitos europeus aguardam impacientemente as férias de verão. Por outro lado, alguns líderes políticos têm estado ocupados em deslocações entre vários países. É o caso de Ursula von der Leyen. Em três dias, a presidente da Comissão Europeia visitou Portugal, Espanha, Grécia, Dinamarca e Luxemburgo.

A líder do executivo comunitário esteve numa digressão de boas notícias para informar, oficialmente, os governos de vários países sobre a "luz verde" da Comissão aos Planos de Recuperação e Resiliência (PRR). O assunto está em destaque nesta edição do programa "Estado da União."

Os fundos começarão a chegar em breve. Não admira que tudo fossem sorrisos durante os encontros com vários líderes europeus. Até porque esta semana, a Comissão conseguiu angariar 20 mil milhões de euros nos mercados de capitais através da emissão de obrigações a 10 anos para obter financiamento para a recuperação pós-pandemia.

Foi a maior emissão de obrigações institucionais de sempre na Europa, a maior transação institucional em uma única tranche de todos os tempos e o maior valor que a União Europeia arrecadou em uma única transação.

O clima de boa disposição também esteve sempre presente durante a visita do presidente dos EUA, Joe Biden, esta semana a Bruxelas, para participar na cimeira UE-EUA.

De acordo com um observador, é difícil dizer quem estava mais satisfeito, entre Biden e os europeus, agora que Donald Trump já não é presidente dos EUA.

Durante os encontros fizeram-se progressos em várias frentes. Porém, outros assuntos precisam de mais tempo. Mas o principal sentimento foi de alívio e alegria, como se percebeu pelas palavras de Ursula von der Leyen: "Antes de mais, foi bom saber que os EUA estão claramente de acordo que a União Europeia não é uma ameaça nacional em matéria de segurança. Ficamos satisfeitos com isso."

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, sublinhou: "Estamos contentes por os EUA estarem de volta. Também saudamos o trabalho concreto, intenso e denso que conseguimos fazer em conjunto."

Apesar do clima de romance, Bruxelas e Washington falharam em conseguir um fim permanente para a contenda comercial de 17 anos por causa dos subsídios pagos às fabricantes de aeronaves Airbus e Boeing.

Em vez disso, selaram um acordo de cessar-fogo temporal durante cinco anos. O que mostra que um acordo completo de paz transatlântica será difícil, independentemente da administração em exercício nos EUA.

Também por resolver está o assunto espinhoso das tarifas às importações de aço e alumínio da União Europeia, uma das decisões de Trump mais polémicas nos últimos quatro anos.

Os dois lados entendem que estas tarifas - a par das contramedidas Europeia - têm de ser eliminadas assim que possível.

Mas o diabo está nos detalhes. Durante a cimeira UE-EUA, estivemos à conversa com a secretária do Comércio dos EUA, Gina Raimondo, sobre este e outros assuntos.

Stefan Grobe, Euronews - Qual foi o ambiente nesta cimeira? Parece que foi como uma reunião de um casal distante que voltou a juntar-se?

Gina Raimondo, secretária do Comércio dos EUA - Sim, foi uma combinação de alívio, diria eu. Do lado europeu senti o alívio pelo facto de o presidente Biden estar aqui e da América que conhecem e gostam estar de volta. E de otimismo, por nós, sendo amigos de longa data, nos voltarmos a sentar à mesa para trabalhar em conjunto, partilhando valores comuns e resolvendo problemas em conjunto.

Stefan Grobe, Euronews - Donald Trump instaurou as tarifas pesadas sobre as exportações de alumínio e aço da União Europeia. Porque é tão difícil libertarmo-nos dessas tarifas e das contramedidas da UE?

Gina Raimondo - O verdadeiro problema não é a União Europeia em si. É a China e o excesso de aço e de alumínio barato que é canalizado para os nossos mercados. Depois há um efeito de spillover para os EUA e isso ameaça a nossa indústria do aço e os nossos trabalhadores do setor, que são essenciais. Dito isso, tive uma série de encontros enquanto estive em Bruxelas e estou otimista em encontrar uma solução.

Stefan Grobe, Euronews - Um dos frutos da cimeira foi o lançamento de um Conselho comum de Comércio e Tecnologia. Qual é o objetivo desse organismo?

Gina Raimondo - Em vez de lidarmos apenas como cibersegurança, semicondutores, inteligência artificial ou privacidade, abordá-los de forma holística será mais eficiente e efetivo. Honestamente, haverá desafios. Não vamos estar sempre de acordo, mas considerá-los neste fórum em que podemos pôr os nossos olhos no prémio dos nossos valores partilhados vai permitir-nos trabalhar em conjunto nessas questões que são do nosso interesse mútuo.

Stefan Grobe, Euronews - Não podemos falar verdadeiramente e relações comerciais sem mencionar a China. Qual é a estratégica comum em relação à China para deter a política económica agressiva chinesa?

Gina Raimondo - Em conjunto com a Europa temos de escrever as regras. Em relação às tecnologias emergentes. Precisamos de nos assegurar que podemos confiar uns nos outros para o abastecimento de semicondutores, por exemplo. A verdadeira estratégia passa por ter uma América e uma União Europeia fortes. Uma indústria americana forte, inovação e empreendedorismo. O mesmo aqui na Europa.