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Laurent Gbagbo celebrado no regresso a casa 10 anos após derrota

Laurent Gbagbo agradece apoio nas ruas de Abidjan
Laurent Gbagbo agradece apoio nas ruas de Abidjan Direitos de autor AP Photo/Leo Correa
Direitos de autor AP Photo/Leo Correa
De  Francisco Marques com AFP e Lusa
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Antigo Presidente da Costa do Marfim foi absolvido em março pelo Tribunal Penal Internacional de crimes contra a Humanidade, mas vítimas mantêm "sede de justiça"

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Milhares de pessoas celebraram esta quinta-feira o regresso à Costa do Marfim de Laurent Gbagbo, o antigo presidente absolvido no final de março pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) das acusações de crimes contra a humanidade que teria cometido há uma década.

Em 2010, Gbagbo recusou conceder a derrota nas eleições para o atual chefe de estado e de governo, Alassane Outtara, o que degenerou em confrontos violentos e na morte de mais de 3 mil pessoas ao longo de cinco meses, colocando o país à beira de uma guerra civil.

O antigo presidente foi detido nas caves do palácio presidencial e foi levado para fora do país, para ser julgado em Haia, por crimes de guerra e contra a Humanidade, ao lado do seu antigo ministro da Juventude, Charles Blé Goudé.

Gbagbo foi libertado em janeiro de 2019, sob condição de ficar num país europeu próximo de Haia, tendo escolhido a Bélgica, enquanto esperava o desenrolar do recurso dos procuradores, que foi rejeitado já este ano, no final de março.

Uma semana após a confirmação da absolvição pelo TPI, Gbagbo foi autorizado a regressar à Costa do Marfim, onde mantém uma grande base de apoiantes, tendo inclusive as despesas da viagem cobertas pelo Estado, por decisão do atual Presidente, Alassane Outtara.

O antigo líder da Frente Popular Marfinense, que conseguiu quase 46% dos votos na segunda volta das eleições de 2010, foi recebido ainda no aeroporto de Abidjan por aliados políticos e pela mulher, Simone, que se manteve no país apesar de ter sobre ela um mandado de captura emitido pelo TPI.

O regresso de Gbagbo a casa está no entanto a gerar alguns receios no país, onde foi condenado a 20 anos de prisão, juntamente com outros ministros do executivo que liderou, de invasão a um banco para obter dinheiro durante a crise pós-eleitoral.

Há quem defenda que o antigo presidente deve ser detido pelas autoridades marfinenses e controlado preventivamente para não motivar uma nova revolta na Costa do Marfim.

Na quarta-feira, véspera do anunciado regresso a Abidjan, houve mesmo manifestações da oposição a Gbagbo à porta da casa do antigo presidente, nos arredores da capital marfinense.

As autoridades mostram estar a gerir com ponderação a relação com o antigo líder. Em nome das "reconciliação nacional", no ano passado emitiram dois passaportes em nome de Laurent Gbagbo, um comum e outro diplomático.

Grupos de apoio às vítimas da violência política no país e alguns admitem "sede de justiça, de verdade, de arrependimento e de reparação através do sistema de justiça criminal", afirmava em maio Issiaka Diaby, presidente do Coletivo de Vítimas na Costa do Marfim (CVCI), para quem "enquanto a situação das vítimas não estiver resolvida, não haverá reconciliação".

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