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Angola procura soluções duradouras para combater a seca

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De  Neusa Silva
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Aldeia de agricultores perto de Lubango, em Angola
Aldeia de agricultores perto de Lubango, em Angola   -   Direitos de autor  Osvaldo Silva/AFP/Arquivo
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A Amnistia Internacional lançou esta quarta-feira um alerta para o agravamento do efeito das alterações climáticas na seca no sul de Angola.

O relatório fala em milhões de pessoas em risco de vida e milhares de deslocados, mas a direção de recursos hídricos de Angola diz que a situação está parcialmente acautelada.

Recentemente o país anunciou o arranque de três projetos nas províncias do Cunene e da Huíla.

Segundo o Ministério da Energia e Águas, estas soluções vêm reduzir de forma significativa o impacto da seca em algumas das localidades mais afetadas.

A Euronews conversou com Manuel Quintino diretor geral do Instituto Nacional de Recursos Hídricos (INRH) do Ministério da Energia e Águas e responsável pelos projetos

"Este projeto em si comporta uma estação elevatória, se quisermos uma estação de bombagem, e uma tubagem pressurizada com uma extensão de cerca de dez quilómetros. Depois temos um canal condutor geral de cerca de dez quilómetros e a partir de um ponto onde existe uma bifurcação existe também um canal condutor oeste que leva água para a população de Dombondola, com uma extensão aproximada de 55 km", explicou-nos Manuel Quintino.

Em resumo, está em curso a construção de uma reserva de água para abastecer a população, sintetizou ainda o diretor geral do INRH.

A construção dos três projetos avaliados em 630 milhões de dólares (€534,4 milhões) contempla a derivação de caudais.

Em entrevista à Euronews, a bióloga ambiental Érica Tavares falou sobre o cuidado a ter durante as intervenções mais definitivas

“Estas soluções de desvio de rios têm soluções que podem alterar ecossistemas completos. Portanto é necessário que existam avaliações bastante sensíveis sobre que alterações poderiam ser causadas com os desvios dos rios. Não só ao nível das populações, espécies que vivem nos próprios rios”, afirmou a também diretora executiva da Eco Angola.

De acordo com o Programa Mundial de Alimentos a falta de chuva entre novembro de 2020 e janeiro de 2021 resultou na pior seca dos últimos 40 anos.

Não são visíveis, pelo menos para já, o resultado destas intervenções mais definitivas. O que temos assistido é uma mobilização intensa por parte da sociedade civil e instituições públicas e privadas para ajudar as vítimas da seca nas províncias da Huíla e do Cunene.