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O enorme desafio humanitário do Afeganistão

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De  Euronews
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O enorme desafio humanitário do Afeganistão
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Neste campo de deslocados internos, na capital, estão aqueles que fugiram do conflito entre as forças afegãs e os talibãs noutras partes do país, desde que os fundamentalistas islâmicos recomeçaram a conquistar terreno, em maio.

Vieram para aqui em busca de refúgio mas o conflito apanhou-os e deixou-os sem nada, como refere um idoso.

"Perdemos os negócios desde que o governo Mujahideen chegou. Eles não se preocupam com o nosso bem-estar. Já passou uma semana e as pessoas não têm comida ou qualquer outra coisa. Nem sequer têm um lugar para se abrigar".

De acordo com a ONU, mais de meio milhão de pessoas foram deslocadas pelos combates desde o início do ano no Afeganistão. As evacuações ajudam, mas muito mais precisa de ser feito para apoiar aqueles que não podem ou não querem sair do país.

"As evacuações beneficiarão algumas pessoas ou salvarão as suas vidas, mas há outros afegãos que não podem partir, vão permanecer no país ou talvez também não queiram partir, talvez queiram ficar em casa mas precisam de proteção, precisam de apoio", diz Shabia Mantoo, porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

Apoio é também o que as organizações humanitárias dentro do Afeganistão têm vindo a pedir.

Nilab Mobarez, presidente da Sociedade do Crescente Vermelho Afegão diz que os afegãos precisarão de mais ajuda do que os humanitários inicialmente pensaram.

"As necessidades são enormes. Mesmo antes do que aconteceu - politicamente falando - as pessoas não conseguiam alimentar-se, não só por causa da guerra mas também por causa da seca", afirma.

Os afegãos têm enfrentado uma multiplicidade de crises: o clima, o conflito armado e uma comum ao resto do mundo, a Covid-19, que, segundo a Dr Mobarez "poderá ter piorado significativamente" no contexto atual.

"A minha preocupação é com todo este movimento de pessoas através do país, sem a proteção e distanciamento e tudo o que temos de fazer... Penso que a próxima vaga será também uma grande questão para o Afeganistão.

Também estamos a fazer vacinas, mas isso também foi afetado desde o que aconteceu na semana passada, porque as pessoas não vêm ao hospital para receber a sua vacinação ou segunda dose... Tudo isto faz-me falar e apelar à comunidade internacional para nos ajudar a ajudá-los".