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Vila brasileira perde para o oceano

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De  Euronews com AP
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Mar avança em Atafona, Brasil
Mar avança em Atafona, Brasil   -   Direitos de autor  Silvia Izquierdo/Copyright 2021 The Associated Press. All rights reserved.
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Todos os anos, o mar avança e conquista três metros a Atafona, uma vila piscatória, a norte do Rio de Janeiro, no Brasil, que está lentamente a ser engolida pelo oceano Atlântico, há quase meio século.

Quinhentos edifícios terão já sucumbido à força das águas. Pelo caminho ficou também o projeto de Júlia Maria de Assis, que há 13 anos viu o mar levar o que sobrava do hotel construído pelo pai.

"As pessoas às vezes perguntam "Ficou triste? Era um património, ia ser dona de um hotel". Mas não, o respeito pelo mar é muito grande, pelo mar de Atafona especialmente. A gente respeita. Não tem nenhum rancor, não. O mar está tomando o que ele quer tomar. A gente é que tem de se adaptar e respeitar a natureza", diz a habitante local.

A natureza pode ser implacável, mas as mudanças em Atafona têm também mão humana.

Na vila desagua o Paraíba do Sul, um rio apartado por 12 barragens para abastecer a região sudeste do Brasil. Dele dependem, por exemplo, os cerca de 13 milhões de habitantes da área metropolitana do Rio de Janeiro.

Secas severas têm diminuído o caudal. E o desvio de recursos hídricos está a levar para longe sedimentos que antes serviam de obstáculo ao mar.

Para Pedro Henrique de Araújo, professor de tecnologia de materiais no Instituto Federal Fluminense, é evidente a forma como a intervenção dos homens tem afetado a região.

"Nós temos o aumento da temperatura do planeta, que aumenta o nível do mar, questões climáticas que fazem ressacas cada vez mais fortes, que geram tempestades cada vez mais fortes e também o rio, a captação de água está cada vez maior, o que traz sedimentos para cá está trazendo menos e o que está comendo está cada vez comendo mais".

A construção de barreiras artificiais e o depósito de grandes quantidades de areia foram já testados na localidade, caracterizada pelo desordenamento urbano. Mas as soluções até agora encontradas pelos especialistas têm sido insuficientes para travar o avanço do mar.