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Futebolistas afegãs refugiam-se no país de Cristiano Ronaldo

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De  Nara Madeira com AP, AFP
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Futebolistas afegãs refugiam-se no país de Cristiano Ronaldo
Direitos de autor  AP/AP
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Aterraram em Lisboa 80 refugiados afegãos. São jovens futebolistas, no feminino, que com as suas famílias percorreram um longo caminho, físico, mas não só, até à capital portuguesa, a principal cidade do país de Cristiano Ronaldo.

Depois de semanas de incerteza, souberam que iam deixar o Afeganistão no dia em que partiram, domingo. Os autocarros que as levariam para o aeroporto já estavam a caminho.

O destino era uma incógnita mas nem por isso motivo para grande preocupação. O importante era partir de um país de que, hoje, não esperam grande coisa, temem mesmo pela vida até porque se trata de famílias defensoras dos direitos das mulheres e membros activos das suas comunidades.

Operação Bolas de Futebol

A missão de resgate, denominada Operação Bolas de Futebol, foi coordenada com os talibãs através de uma coligação internacional de ex-militares e funcionários dos serviços secretos dos EUA, o senador americano Chris Coons, aliados dos EUA, Portugal, naturalmente, e grupos humanitários.

Mas a janela de oportunidade era muito pequena e teve de ser tudo organizado «à velocidade da luz».

Envolvida no processo esteve a capitã da seleção nacional feminina afegã, atualmente no Canadá. Passou as últimas semanas a comunicar com as jovens e a trabalhar para ajudar a organizar o seu resgate.

Farkhunda Muhtaj mostrava-se contente por elas terem sido capazes de perseverar e serem atletas afegãs resilientes. Ainda que lamentasse que para trás fiquem tantas outras.

Por agora, estas jovens, pelo menos, estão "num lugar seguro", referia, mas o "Afeganistão estará para sempre nos seus corações, será sempre a sua principal preocupação".

Uma partida ansiada

A tomada do poder pelos talibãs no país choca com as liberdades que as mulheres afegãs foram adquirindo e desde a retirada das forças da NATO do Afeganistão, que estas raparigas, com idades dos 14 aos 16 anos, e as suas famílias, tentavam partir.

Sob o regime talibã mulheres e raparigas estão proibidas de praticar desporto e o futebol faz parte das suas vidas.

A partida era a única solução e estas jovens deixaram o seu país na expectativa de conseguir cumprir os seus sonhos. Uma quer ser médica, outra produtora de cinema, outra engenheira. Muitos sonhos diferentes e um comum: serem jogadoras de futebol profissionais. Resta saber o que o futuro, em Portugal, lhes reserva.