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Papa Francisco sente "imensa dor" pela pedofilia na Igreja

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De  Francisco Marques
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Fiéis rezam pelas vítimas de pedofilia, na igreja Joana D'Arc, em Saint Denis, França
Fiéis rezam pelas vítimas de pedofilia, na igreja Joana D'Arc, em Saint Denis, França   -   Direitos de autor  AP Photo/Michel Euler
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O Sumo Pontífice da Igreja católica assumiu uma “imensa dor” e revelou “gratidão pela coragem das denúncias” que permitiram identificar mais de 330 mil crianças vítimas de pedofilia num escândalo que afeta o clero em França.

A reação do Papa Francisco ao relatório divulgado esta terça-feira, por uma comissão independente de investigação às denúncias, surgiu pelo respetivo porta-voz, Matteo Bruni.

Na arquidiocese epicentro deste escândalo, o novo arcebispo de Lyon foi o porta-voz da igreja francesa e assumiu-se envergonhado pelos crimes ocorridos no seio do clero e que terão afetado pelo menos 216 mil do total de vítimas identificadas.

Este relatório deixa-me revoltado, enojado e escandalizado. As vítimas que conheci ajudaram-me a perceber o trauma destes horríveis atos. Tenho vergonha do que se passou, destes atos inqualificáveis, mas também da forma como estes assuntos foram tratados. Estes números aterradores mostram que no passado a igreja falhou ao querer gerir internamente estas questões", afirmou Olivier de Germay, que sucedeu em outubro a Philippe Barbarin, que renunciou após ser acusado de ter abafado os casos de pedofilia ocorridos na arquidiocese de Lyon.

O relatório resume a investigação de dois anos e meio realizada por uma comissão liderada por Jean-Marc Sauvé, funcionário público destacado para esta operação.

De acordo com as descobertas da comissão, a maioria das vítimas de pedofilia são do sexo feminino, mas entre as mais de 200 mil crianças vítimas de padres e de outros membros da igreja a predominância é masculina.

Uma das vítimas, André Poulad, tinha 12 anos quando foi abusado. "Não é possível que isto se tenha passado e ninguém tenha dito nada. Damo-nos conta de que é o silêncio que afinal mata", diz agora Poulad.

Vítima de abusos entre os três e os 13 anos, Nonou Couturier mostra-se feliz, agora, por ter sido ouvida: "Por uma vez, somos ouvidos. Fomos ouvidos exatamente por esta investigação. Finalmente, existimos e isso é bom."

A comissão independente responsável pela investigação concluiu que uma em cada dez pessoas em França alega ter sido vítima de violência sexual em criança. Sobretudo no seio da família.

Para o porta-voz da investigação, "indemnizar as vítimas não é uma dádiva, é um dever."