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Brasil ratifica acordo para "desflorestação zero"

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De  Francisco Marques
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Amazónia perdeu em setembro a floresta equivalente à cidade do Rio de Janeiro
Amazónia perdeu em setembro a floresta equivalente à cidade do Rio de Janeiro   -   Direitos de autor  AP Photo/Andre Penner, Arquivo

O Brasil tem sido um dos países mais afetados pela desflorestação nos últimos anos, sobretudo na região da Amazónia, e o atual Governo liderado por Jair Bolsonaro tem sido muito criticado pela passividade perante estes crimes ambientais.

Ainda assim, o governo vai ratificar, à distância, o novo acordo alcançado na COP26 para reduzir a desflorestação a zero na próxima década.

O Presidente do Brasil até está na Europa, onde participou durante o fim de semana na cimeira das 20 maiores economias do mundo (G20), mas evitou participar na Conferência pelo Clima das Nações Unidas, de acordo com alguns rumores, para evitar mais críticas internacionais à respetiva gestão ambiental da Amazónia.

Os mais de 120 líderes mundiais presentes da Conferência do Clima, em Glasgow, entre eles o Presidente dos Estados Unidos Joe Biden e o primeiro-ministro da Índia Narendra Modi, acordaram assinar o compromisso para acabar com a desflorestação.

O Presidente da Colômbia explicou que a COP26 está "a fixar o objetivo de zero desflorestação até 2030 ou até antes". "O importante é que este ano já a reduzimos em 30 por cento", disse Ivan Duque.

À distância, Jair Bolsonaro garantiu ser parte da solução e o Brasil até anunciou na COP26, através de uma mensagem remota do ministro do Ambiente, Joaquim Leite, o objetivo de reduzir a desflorestação ilegal a zero até 2028 e ainda cortar da anterior meta de 43% para 50% as emissões de gases de estufa até 2030.

O anúncio do ministro foi precedido por um vídeo do Presidente a prometer um Brasil "mais ambicioso" em termos ambientais, mas omitindo os recentes recordes negativos estabelecidos, sobretudo em termos de desflorestação da Amazónia.

Os resultados alcançados até 2020 demonstram que podemos ser mais ambiciosos.
Jair Bolsonaro
Presidente do Brasil

O plano de Joaquim Leite passa por reduzir a desflorestação ilegal em 15% a partir de 2022 e até 2024; em 40% até 2026; em 50% até 2027; e, finalmente, chegar a zero em 2028.

As garantias dos dois governantes brasileiros encontram ceticismo, por exemplo, no Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazónia (Imazon).

"Enquanto não tivermos uma redução substancial desses indicadores de 'desmatamento', não tem como acreditar que de facto a gente começa a ter o país na direção de uma economia de carbono-zero ou sequer atingir lá na frente uma redução líquida a zero. Precisamos de focar os esforços. O Brasil sabe o que fazer para reduzir o 'desmatamento', já o fizemos no passado. O que precisamos fazer é voltar a ter essas ações de controlo de forma consistente", afirmou Brenda Brito, pesquisadora do Imazon.

O ritmo de desflorestação mantém-se acelerado na Amazónia. Os últimos dados publicados pelo instituto indicam que em setembro desapareceu uma área florestal equivalente a toda a cidade do Rio de Janeiro.

Por dia, a Amazónia perdeu em setembro o equivalente a 4 mil campos de futebol, num total de mais de 1200 quilómetros quadrados. O que deixa antever que o novo acordo agora alcançado na COP26 tem muito para cortar, só na desflorestação do Brasil.