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O que se segue na política pandémica europeia?

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De  Euronews
O que se segue na política pandémica europeia?
Direitos de autor  Lisa Leutner/Copyright 2021 The Associated Press. All rights reserved

Na Europa, a pandemia de Covid-19 não dá sinais de abrandar e vários países anunciaram restrições nos últimos dias para conter o aumento de novos casos.

Durante o fim de semana, a frustração sobre a forma como os políticos estão a lidar com o aumento do número de infeções tornou-se evidente nas ruas da Bélgica, Países Baixos e Áustria, um novo epicentro da pandemia.

Multiplicaram-se as dúvidas sobre a eficácia das campanhas de vacinação, sobre as doses de reforço e a validade dos certificados digitais, bem como em relação aos métodos de distanciamento.

A Comissão Europeia deverá anunciar recomendações "nos próximos dias." Mas como é que os diferentes países estão a lidar atualmente com a pandemia?

Vacinação completa?

“Precisamos de vacinar”, sublinhou, hoje, o porta-voz da Comissão Europeia para a Saúde, Stefan De Keersmaecker, acrescentando que "é simples." Na prática, é mais fácil falar do que fazer, considerando que as campanhas de vacinação estão sob a responsabilidade dos governos nacionais. Cada país deve ter em conta as condições locais, a disseminação do vírus e a capacidade dos respetivos sistemas nacionais de saúde.

Esta segunda-feira, o ministro da Saúde da Alemanha referiu que os alemães estarão "vacinados, recuperados ou mortos" até o final do inverno. Jens Spahn justificou o aumento no número de infeções com a variante Delta e pediu aos alemães que se vacinassem. O país tem uma das taxas de vacinação mais baixas da Europa Ocidental, 68%. Apesar de se ter iniciado um debate sobre a vacinação obrigatória, Spahn continua cético em relação a tal abordagem.

Já a Áustria anunciou na semana passada que a vacinação será obrigatória a partir de 1 de fevereiro do ano que vem, tornando-se o primeiro país da União Europeia (UE) a decretar tal norma.

Para David Nabarro, enviado especial da Organização Mundial da Saúde para a Covid-19, confiar apenas em uma estratégia de vacinação completa é uma aposta para os países ricos.

A principal ameaça das novas variantes é a dependência das vacinas existentes, advertiu Nabarro.

O que é preciso fazer é uma "abordagem combinada" de máscaras e de outras intervenções de saúde, fazer "todo o possível para capacitar as pessoas para evitar serem infetadas pelo patógeno", acrescentou.

Uma questão em aberto neste momento é se a Europa deve ou não vacinar crianças de 5 a 11 anos. A Agência Europeia de Medicamentos está atualmente a investigar a possibilidade de reduzir a idade de vacinação e espera-se que os seus resultados sejam entregues nas próximas semanas.

No Canadá, crianças de 5 a 11 anos receberão uma dose da vacina Pfizer. A dose pediátrica será um terço da dose adulta e as doses serão administradas numa moldura temporal de 21 dias.

Uma terceira dose?

À medida que os programas de vacinação continuam a progredir, começa a tornar-se mais evidente que será preciso uma terceira dose, ou reforço, para manter baixo o número de casos de Covid-19.

No Reino Unido, a terceira dose já foi autorizada para maiores de 50 anos e pessoas frágeis desde o início de setembro, com a meta de administrar "10 milhões de doses de reforço antes do Natal", disse o primeiro-ministro britânico Boris Johnson.

Muitos países europeus lançaram as campanhas de reforço nas últimas semanas, mas apenas 3,7% da população do continente recebeu uma terceira injeção, de acordo com a agência de notícias AFP.

Entre os países com melhor desempenho quando se trata de vacinas, a Islândia lidera o caminho. Quase uma em cada cinco pessoas já recebeu uma dose de reforço no conjunto da população que já está praticamente toda vacinada (90%).

Confrontado com o ressurgimento de casos, o governo islandês anunciou, na última sexta-feira, novas medidas para os cidadãos, incluindo o uso de máscaras e a terceira dose para todos os maiores de 16 anos.

Mais a leste na Europa, a Hungria e a Sérvia estão em segundo lugar, com 14 e 16 em cada cem habitantes, respetivamente, vacinados com três doses da vacina anti-Covid-19, de acordo com dados do website OurWorldinData.

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) começou a avaliar dados sobre uma dose de reforço da vacina Janssen (também conhecida como Johnson & Johnson). O estudo investigará se a administração de uma segunda dose da vacina de injeção única deve ser aplicada dois meses após a primeira dose em pessoas com 18 anos ou mais.

Até quando é que os Certificados Digitais Covid serão válidos?

A preparação de uma terceira dose da vacina contra a Covid-19 é uma condição para a obtenção de um certificado de saúde que se está a generalizar. Em França, a Academia Nacional de Medicina rejeitou a ideia.

A entidade afirmou no dia 29 de outubro que se opõe à possibilidade, que afirma "ir além" do objetivo do documento.

A medida "transgride o papel do certificado, que era limitar o risco de transmissão do vírus e estimular a população a se vacinar", referiu a instituição numa declaração.

O Certificado Digital Covid da UE estará operacional durante 12 meses após a data de aplicação. A Comissão pode alterar certas disposições, o que pode abrir caminho para o executivo comunitário estender a validade do certificado e adicionar uma terceira dose como um requisito necessário.

No entanto, o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, defende que uma terceira dose da vacina, seis meses após a última dose, seja adicionada ao certificado de saúde para mantê-lo válido.

Em Roma, o governo italiano planeia tornar o certificado válido durante nove meses após a vacinação completa.

Novos medicamentos anti-Covid

Os medicamentos antivirais fazem parte de um arsenal crescente na luta contra a Covid-19, e dois medicamentos mostraram reduzir drasticamente o risco de hospitalização e morte.

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) autorizou, na sexta-feira, o comprimido anti-Covid da Merck para uso em caso de emergência e iniciou uma revisão do medicamento antiviral da Pfizer para autorização formal.

O comprimido Merck (também conhecido como molnupiravir ou MK 4482) "pode ​​ser usado para tratar adultos com Covid-19 que não requerem oxigénio suplementar e que estão em risco de desenvolver Covid-19 grave", disse a EMA em comunicado.

Nos EUA, os medicamentos também aguardam o sinal verde regulatório. A administração de Joe Biden já comprou milhões dos tratamentos. Isso gerou um debate na Europa sobre a UE fazer uma compra conjunta semelhante, conforme foi negociado com as compras de vacinas.