This content is not available in your region
euronews_icons_loading
Quadra natalícia volta a ser marcada por restrições
Quadra natalícia volta a ser marcada por restrições   -   Direitos de autor  AP Photo/Armando França

Natal e Ano Novo de máscara e contidos para travar surto de Covid-19 pela Ómicron

As celebrações de Natal e Ano Novo voltam este ano a ser limitadas na União Europeia (UE) devido à Covid-19.

Após as restrições de há um ano e com a vacinação adiantada na maioria dos países, o surgimento da variante de preocupaçãoÓmicron há cerca de um mês veio atrapalhar os planos de um ansiado regresso à normalidade.

Em Portugal, devido a esta VdP de aparente maior facilidade de propagação, as infeções são inclusive o dobro das registadas há um ano, embora isso se possa dever também a um aumento considerávelda testagem, na tentativa de descobrir e travar a Ómicron.

Só na quarta-feira, foram realizados quase 250 mil testes e diagnosticados 10.549 infeções, o maior número de casos diários em Portugal desde 30 de janeiro, e mais do dobro dos anunciados a 23 de dezembro de 2020 (4.602).

O portal "Our World in Data", estimava que até 18 de dezembro Portugal estava a detetar um caso positivo por cada 34 testes realizados quando um ano antes a proporção era de uma infeção por cada 10 testes. E, a 30 de janeiro, era de um caso por cada cinco testes.

Outra das referências a ter em conta para se aferir a gravidade da situação tem a ver com o número de camas de hospital ocupadas por "doentes covid". De acordo com o balanço da Direção-geral de Saúde (DGS), esta quinta-feira havia 893 internados (menos 16 que na quarta-feira), incluindo 148 nos cuidados intensivos (menos sete).

Há exatamente um ano, havia 2.990 "doentes covid" hospitalizados, incluindo 511 em UCI. Na relação de óbitos, depois dos 89 registados em 23 de dezembro de 2020, agora lamentam-se 17, cinco vezes menos.

Esta relação homóloga é mais um argumento a reforçar a teoria de que a nova VdP não é tão severa quanto as anteriores e que, com 87% da população imunizada e já com muitas pessoas com a dose de reforço, a vacinação é eficaz para evitar infeções graves, poupar os hospitais e garantir espaço de assistência para outras doenças.

Ainda assim, como referem já alguns estudos internacionais, a Ómicron mostra ser mais transmissível e inclusive poder reinfetar mais facilmente quem já recuperou da Covid-19. Por isso, Portugal adotou algumas restrições para travar o agravamento da epidemia neste Natal e Ano Novo.

Entre os dias 24 e 25 de dezembro e entre os dias 30 de dezembro e 1 de janeiro de 2022, estão proibidos os ajuntamentos na via pública e o acesso a restaurantes, a estabelecimentos similares e a estabelecimentos de de jogos de fortuna ou azar, casinos, bingos ou similares, depende da apresentação de Certificado Digital COVID da UE nas modalidades de certificado de teste ou de recuperação, da apresentação de outro comprovativo de realização laboratorial de testecom resultado negativo ou da realização de teste com resultado negativo, nos termos a definir pela DGS e pelo INSA.

A partir de 25 de dezembro, e pelo menos até 9 de janeiro, estão ainda em vigor as seguintes medidas, de acordo com o comunicado do Conselho de Ministros:

  • Teletrabalho obrigatório em todo o território nacional continental;
  • Encerramento de bares, outros estabelecimentos de bebidas sem espetáculo e dos estabelecimentos com espaço de dança;
  • Ocupação máxima indicativa de 0,20 pessoas por metro quadrado de área, com exceção dos estabelecimentos de prestação de serviços;
  • Acesso a estabelecimentos turísticos ou de alojamento local passa a depender da apresentação de Certificado Digital COVID da UE, nas modalidades de certificado de teste ou de recuperação, ou da apresentação de comprovativo de realização laboratorial de teste com resultado negativo;
  • Acesso a eventos, designadamente a festas ou celebrações de Ano Novo de cariz não religioso, eventos de natureza familiar, incluindo casamentos e batizados, eventos de natureza corporativa, eventos culturais ou eventos desportivos depende da apresentação de Certificado Digital COVID da UE nas modalidades de certificado de teste ou de recuperação, ou da apresentação de comprovativo de realização laboratorial de teste com resultado negativo, sem prejuízo da definição pela DGS das características dos eventos em que é dispensada a apresentação desses certificados ou testes.

Países Europeus aumentam restrições

Em Itália, foi replicada a obrigatoriedade adotada em Espanha de se voltar a usar a máscara anticovid na via pública.

Além da proibição de festas em espaços públicos e em discotecas até 31 de janeiro, do bloqueio dos cafés ao balcão para os não vacinados e da redução de prazo do certificado digital para seis meses, que também ganha mais importância, o governo italiana pretende ainda exigir o uso de máscaras mais resistentes ao SARS-CoV-2.

O ministro da Saúde Roberto Speranza disse que o governo está "a ponderar uma disposição para exigir as FFP2, o tipo de máscaras que garante maior proteção, para uso em locais como os transportes de longa distância, transportes públicos, cinemas, teatros, museus, eventos desportivos em espaços fechados e em estádios".

A Dinamarca, o país da União Europeia (UE) mais afetado pela nova variante de preocupação (VdP), a Ómicron, vai passar a exigir um teste negativo à entrada no país mesmo para quem já tenha inclusive uma terceira dose de vacina.

A partir de segunda-feira, apenas quem já teve e recuperou da Covid-19 está dispensado da apresentação de teste negativo para entrar na Dinamarca.

A vizinha Suécia, segue a mesma linha, mas de forma ainda mais restrita. A partir de terça-feira, para se entrar na Suécia, não vacinados, vacinados e mesmo os recuperados com mais de 12 anos têm de apresentar um teste negativo feito até 24 horas antes.

Apesar do rápido agravamento das infeções e da pressão sobre os hospitais, a ministra da Saúde diz que "graças à vacina", os suecos vão "poder celebrar este ano o Natal em família como é costume".

"E graças à vacinação de mais pessoas e ao reforço da terceira dose, há esperança em melhores tempos”, perspetivou Lena Hallengren, a ministra da Saúde da Suécia.

Na Roménia, um dos países europeus com menor taxa de vacinação, mais de 70% das últimas infeções diagnosticadas são pessoas não vacinadas, referem as autoridades de saúde locais, e isto quando a presença da Ómicron é ainda muito pequena no país.

As autoridades estimam que a quinta vaga de Covid-19m que já alastra pelo resto da UE, atinja a Roménia dentro das próximas três semanas.

AP Photo/Vadim Ghirda
Opositor do certificado digital covid na RoméniaAP Photo/Vadim Ghirda

Com um sistema de saúde pública frágil e os respetivos profissionais em recorrentes manifestações para exigir melhores salários e condições de trabalho, teme-se o colapso dos hospitais quando as infeções voltarem a disparar no país.

Para tentar conter a nova VdP do SARS-COV-2, o governo romeno esta a tentar fazer passar uma lei que torna obrigatório a apresentação do ali chamado "certificado verde Covid", por exemplo para os trabalhadores, mas está a ter resistência por parte do Parlamento e a medida não deve ser implementada antes do início de 2022.

Outras fontes • Lusa, AP, AFP