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Italianos temem que Mario Draghi deixe o governo em 2022

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De  Maria Barradas  & Giorgia Orlandi
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Primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, dá conferência de imprensa em Roma, Itália
Primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, dá conferência de imprensa em Roma, Itália   -   Direitos de autor  Domenico Stinellis/AP

Até há algumas semanas, em Itália, os anos de instabilidade política e declínio económico pareciam coisa do passado.

O primeiro-ministro, Mario Draghi, tem sido o garante da estabilidade e confiança no país, mas o entusiasmo dos italianos pode esmorecer se ele se demitir para se tornar Presidente, como se especula.

Com a dúvida instalada, os italianos têm dificuldades em guardar o otimismo de que o "efeito Draghi" possa durar no novo ano.

"Se Mario Draghi deixar de ser Primeiro-Ministro, tudo voltará ao que era antes. Os partidos políticos a lutarem uns contra os outros com o regresso da extrema-direita ao poder", diz um homem.

Uma jovem manifesta mais otimismo: "Será mais um ano difícil como este, mas penso que todos nos sentiremos mais positivos - como temos visto melhoramentos - mas isso dependerá muito do facto de Draghi ficar ou não. Penso que toda esta onda positiva que temos tido depende muito da sua presença".

Há também quem desvalorize o chamado "efeito Draghi"

"Penso que o chamado "efeito Draghi" nunca existiu. Penso que foi inflacionado pelos meios de comunicação social e isso não trouxe os benefícios que os italianos esperavam".

A economia do país tem crescido sob a liderança de Draghi. Espera-se um crescimento de cerca de 6% este ano e isso também graças aos fundos de recuperação da UE e a um novo conjunto de reformas.

A emergência Covid ainda não terminou. Uma questão que se soma aos problemas de longa data da Itália, como o desemprego juvenil e que não se conseguem resolver num único mandato governamental

Um idoso lamenta: "Infelizmente teremos de esperar um pouco antes de podermos dizer que a pandemia terminou e que estamos fora de perigo"

Uma jovem opina: "Somos um país envelhecido. Temo-nos focado nos mais idosos há demasiado tempo; gostaria que fossem dadas mais oportunidades às gerações mais novas ".

A repórter da Euronews, em Roma, Giorgia Orlandi constata: "É ainda cedo para dizer se os italianos ficarão mais otimistas quanto ao futuro do país em função das previsões económicas encorajadoras. Os italianos querem poder confiar que quem se seguir a Mario Draghi - no caso de o presidente do conselho se demitir - possa aplicar corretamente as reformas definidas pelo atual governo e que são vistas por muitos como uma ocasião imperdível para melhorar a economia do país".