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Dayana Yastremska foge da invasão russa e é vicecampeã em França pela Ucrânia

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De  Francisco Marques
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Dayana Yastremska na Austrália, um mês antes da invasão russa da Ucrânia
Dayana Yastremska na Austrália, um mês antes da invasão russa da Ucrânia   -   Direitos de autor  AP Photo/Andy Brownbill

Dayana Yastremska é uma tenista ucraniana de 21 anos. Ela fugiu de Odessa no dia 25 de fevereiro, 24 horas após o início da invasão russa da Ucrânia, e acaba de se sagrar vicecampeã num WTA 250 em França. Um triunfo "pela Ucrânia".

Depois de começarem a cair as primeiras bombas em Odessa, no sul da Ucrânia, junto ao Mar Negro, , partiu com a irmã Ivanka, de 15 anos, por decisão do pai. A mãe também era para ir, mas à última hora decidiu ficar, com o marido, na Ucrânia.

De carro, a pé e de barco, Dayana e Ivanka chegaram à Roménia. A Yastremska mais velha foi dando notícias pelas redes sociais até França, a quem agradeceu o acolhimento.

Em entrevista à Euronews, Yastremska resumiu o drama da fuga à guerra com um momento "muito difícil e doloroso"

"Não sabemos quando vamos voltar a ver os nossos pais. São momentos difíceis de recordar aqueles quando estávamos no barco e víamos os nossos pais do outro lado. Foi muito emotivo", afirmou Dayana Yastremska, atual #128 da classificação mundial do WTA, onde já figurou como #22.

Com um convite especial ("wild card") para participar no Torneio da Metrópole de Lyon, um ATP 250, Dayana Yastremska começou por jogar no quadro de pares com a irmã, praticante de ténis há apenas dois anos.

Perderam e Dayana admitiu as dificuldades de jogar num momento destes, em que a cabeça de ambas está em Odessa, de onde aguardam ansiosamente notícias, todos os dias, se a Internet no sul da Ucrânia o permitir porque os pais "passam muito tempo abrigados dos bombardeamentos em estacionamentos subterrâneos", contou-nos.

"Agora, temos alguns russos em Odessa. O meu pai disse-me que tudo estava bem, que estava tudo sob controlo, mas eu acho que ele apenas me diz isso para eu não ficar nervosa aqui", desconfia Dayana Yastremska, notoriamente preocupada.

Com a irmã agora sempre na bancada, a apoiar, Yastremska tem melhorado as prestações ao longo do torneio. Nos oitavos de final, já se mostrou muito forte diante da espanhola Cristina Bucsa.

Falámos com Dayana logo após esta vitória. "Foi um jogo mais descontraído, mas ainda me sinto um pouco bloqueada. Sinto-me feliz por vencer, mas ao mesmo tempo triste. Venci pelo meu país. Estou orgulhosa da Ucrânia e do nosso povo."

Após a derrota em pares, Yastremska começou o quadro de singulares desconcentrada, mas venceu a abrir a romena Ana Bogdan num duelo de três horas, ultrapassou Bucsa e voltou a vencer nos quartos de final. Desta feita, a italiana Jasmine Paolini.

No sábado, garantiu um lugar na final do "6e Sens Metrópole de Lyon WTA 250", derrotando a romena Sorana Cirstea, a #27 do ranking WTA.

Pela Euronews, após os oitavos de final, Dyana aproveitou para enviar uma emotiva mensagem para casa.

Sinto-me orgulhosa por estarem a lutar pelas nossas vidas, por uma Ucrânia livre. Estou-lhes muito agradecida, às pessoas que lá estão, a sobreviver e a defender o país e cada uma das cidades ucranianas, por todas as mulheres e cianças, mantendo a Ucrânia livre.

Um grande respeito pelo nosso povo. São heróis.
Dayana Yastremska
Tenista ucraniana

No domingo, na grande final, Yastremska começou bem diante de Shuai Zhang, #41 do WTA.

A chinesa conseguiu, no entanto, a reviravolta da derrota no primeiro "set" e venceu a ucraniana (3-6, 6-3 e 6-4). O que deixa Yastremska como vicecampeã do torneio. Uma grande conquista pouco mais de uma semana depois de fugir da guerra na Ucrânia.

Editor de vídeo • Francisco Marques